Rodelas, Bahia – Em entrevista ao “Conversa com Bial”, transmitida na última terça-feira (4), Wagner Moura tratou de seu posicionamento político na Globo e afirmou que ainda é alvo de julgamentos por se considerar de esquerda e por ter alcançado boa situação financeira. O baiano defendeu que não faz sentido alguém que prosperou duvidar da justiça social.
O ator ressaltou que não admite ataques baseados em contradições entre vida no exterior e ideias políticas. Em tom irônico, citou críticas de hipocrisia e disse que não enxerga problema em morar fora do Brasil, desde que haja diálogo claro sobre as pautas nacionais. “Eles falam: ‘Você é um hipócrita porque está aqui, em Atenas, tomando vinho com Pedro Bial… e acredita que as pessoas que moram na favela merecem ser tratadas com decência’”, afirmou. Moura reafirmou que continua sendo o mesmo indivíduo que presenciou o trabalho escravo em Rodelas e que seu pai era sargento.
Moura também destacou a importância de políticas públicas de incentivo à cultura e lembrou que sua trajetória no cinema brasileiro ganhou impulso graças a leis desse tipo em Salvador nos anos 1990. “Eu prosperei porque, em Salvador, nos anos 1990, havia uma lei de incentivo à cultura que fez com que eu, Vladimir Brichta e Lazaro Ramos pudéssemos trabalhar, construir uma história e ter uma carreira de ator.”
Sobre um possível diálogo com a direita, Moura afirmou ter interesse em debater temas essenciais como o papel do Estado e os gastos públicos, mas afirmou temer que encontros desse tipo se transformem em ataques pessoais. “Essa discussão é fundamental. O Estado tem que ser pequeno ou grande? Quanto o Estado tem que gastar?… Essa discussão é boa, mas não acontece”, disse, citando entraves que, segundo ele, dificultam um debate construtivo.
Além disso, o ator vive nos Estados Unidos há aproximadamente oito anos, com a esposa Sandra Delgado e os três filhos, conforme relatos apresentados na entrevista.
