Resumo: Operação Omertà investiga interferência em eleições de 2024 e 2026 em Sobral (CE); 14 prisões, 25 mandados de busca e apreensão; três vereadores detidos; cobrança de pedágio eleitoral pela facção ligada ao Comando Vermelho; investigação aponta crimes de organização criminosa e corrupção.
Sobral, CE — O Ministério Público do Ceará (MPCE) revelou detalhes sobre a Operação Omertà, deflagrada nesta terça-feira (11/8) para investigar uma suposta organização criminosa que, segundo informações divulgadas pela Coluna Mirelle Pinheiro, parceira do PrimeiroJornal, atuava para interferir nas eleições de 2024 e 2026 na cidade.

Crédito: Divulgação/PF.
Segundo apurou a coluna, a cobrança funcionava como uma espécie de pedágio eleitoral: candidatos sem mandato teriam sido cobrados em aproximadamente R$ 30 mil, enquanto aqueles já com mandato teriam de pagar cerca de R$ 60 mil para acessar determinadas áreas durante a campanha.
Além da cobrança, a facção é suspeita de atuar para influenciar a escolha dos eleitores por meio de coalizões e ameaças, com impactos atribuídos também a ações envolvendo o processo eleitoral de 2026. Eventos e reuniões políticas em Sobral seriam cancelados após as supostas intimidações.
Operação prendeu preventivamente 14 pessoas e cumpriu 25 mandados de busca e apreensão. Entre os presos estão três vereadores do município — Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União) e Juninho do Povo (Podemos) — afastados de seus mandatos por 180 dias. Uma policial militar, casada com um homem apontado como chefe da organização, também foi afastada pelo mesmo período; ela atuava no policiamento ostensivo.
Um advogado investigado por possível atuação nos núcleos de liderança e de execução de ordens da organização também é alvo de apuração, mas seu nome não foi divulgado pela Justiça. O inquérito, aberto em 2024, visa esclarecer a extensão da influência da facção nos processos eleitorais.
Entre as acusações listadas pela investigação estão integração de organização criminosa, domínios estruturados, extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução ou embaraço à propaganda eleitoral. Ao todo, a operação envolveu a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), o Ministério Público Eleitoral (3ª Promotoria Eleitoral) e o GAEL, com ordens expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.
A Justiça Eleitoral também determinou que a Câmara Municipal de Sobral apresente a relação completa de ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporários vinculados ao Legislativo. A apuração é resultado de investigação coordenada por órgãos estaduais e eleitorais.
As informações, conforme apuração da Coluna Mirelle Pinheiro, foram divulgadas por parceiro do PrimeiroJornal, com base em documentos oficiais e depoimentos colhidos durante a operação.
