Fogo Cruzado: alta de 50% em chacinas em Salvador e RMS em julho

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Em julho, Salvador e a Região Metropolitana (RMS) registraram seis chacinas, aumento de 50% ante o mesmo mês de 2025 (quando houve quatro). Foram 16 mortos nessas ocorrências, todas registradas durante ações ou operações policiais. De janeiro a julho de 2026, foram 20 chacinas, queda de 17% frente aos 24 do mesmo período em 2025, com 95% dos casos ocorrendo em ações policiais (19 de 20). Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado, aponta concentração de letalidade em dinâmicas e territórios determinados e reforça a necessidade de proteger vidas e reduzir a letalidade. O instituto utiliza tecnologia para produzir dados abertos sobre violência armada, fortalecendo a democracia por meio da preservação de vidas.

Locais dos casos em julho: as seis chacinas de julho ocorreram em bairros de Salvador: Capelinha, Castelo Branco, Cosme de Farias, Barreiras, Nordeste de Amaralina e Beiru/Tancredo Neves.

Definições do Fogo Cruzado: a instituição classifica como chacina uma violência com três ou mais civis mortos; uma “chacina policial” ocorre quando o desfecho é resultado de ação das forças de segurança. Nos registros de julho, todas as chacinas foram registradas durante ações ou operações policiais, totalizando 16 vítimas fatais.

Panorama janeiro-julho 2026: entre janeiro e julho deste ano, foram contabilizadas 20 chacinas, frente às 24 do mesmo período em 2025 (queda de 17%). No entanto, o peso das ações policiais segue elevado: 19 de 20 chacinas em 2026 ocorreram em ações policiais (94,5%); em 2025, foram 16 de 24 (67%).

Letalidade nas chacinas: apesar da redução no total de chacinas, o número de mortos vinculados a ações policiais manteve-se estável: 65 de 68 vítimas em 2026 (? 96%) ocorreram em ações ou operações policiais, comparação com 65 de 89 (? 73%) em 2025.

Declaração de especialista: “Esses dados refletem uma concentração da letalidade em determinadas dinâmicas e territórios, e isso precisa ser considerado. Não podemos tratar como mera coincidência eventos com múltiplas mortes sempre nos mesmos CEPs”, afirma Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado. Ela frisa a necessidade de políticas públicas que reduzam a letalidade e protejam a vida.

Sobre o Fogo Cruzado: o Instituto utiliza tecnologia para divulgar dados abertos sobre violência armada, contribuindo para a transparência e para a construção de políticas públicas mais eficazes na prevenção de mortes.

Dados gerais (jul/2026): Salvador e RMS registraram ao menos 118 tiroteios, com 120 baleados, 93 mortos e 27 feridos. Desses episódios, 62 ocorreram durante ações ou operações policiais (52% do total), resultando em 49 mortos e 12 feridos.

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