Salvador prorroga por 90 dias a Situação de Emergência nas áreas litorâneas da região de São Tomé de Paripe. Decreto 42.123, assinado pelo prefeito Bruno Reis, foi publicado no dia 10. Mantidas medidas de monitoramento e ação integrada diante de danos ambientais. PF solicita indisponibilidade de bens da Gerdau; Intermarítima afirma cooperação nas investigações. Palavras?chaves: Salvador; São Tomé de Paripe; emergência litorânea; Gerdau; PF; Inema.
Salvador prorrogou por 90 dias a Situação de Emergência nas áreas litorâneas da região de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário da capital baiana. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 42.123, assinado pelo prefeito Bruno Reis (União) e publicada nesta segunda-feira (10).
A renovação estende os efeitos do Decreto nº 41.834, de 9 de junho, motivado pelos danos ambientais decorrentes do derramamento de produtos químicos que atingiram ambientes lacustres, fluviais, marinhos e aquíferos da localidade.
O texto oficial explica que a renovação considera a persistência das condições de anormalidade e dos impactos ambientais e sociais na área atingida. O decreto reforça a necessidade de atuação integrada entre os órgãos da Administração Municipal para monitoramento, prevenção, mitigação de danos e proteção à população.
RELEMBRE A SITUAÇÃO
A situação de emergência foi declarada originalmente em 9 de junho de 2026, respaldada por laudos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Os exames técnicos apontaram altas concentrações de metais pesados em organismos marinhos da área, com destaque para moluscos bivalves, como ostras e chumbinhos.
O documento municipal citou operações ligadas às empresas Gerdau e Intermarítima no Terminal Itapuã. Em manifestação, a Intermarítima informou que coopera com as investigações e negou qualquer relação entre suas atividades e os residuos de coloração azul ou verde identificados na areia em fevereiro de 2026.
A empresa ressaltou que não opera com produtos perigosos, possui sistema próprio de tratamento de resíduos e indicou que a área já apresentava passivos ambientais antes de suas operações, tendo exigido intervenções corretivas da antiga proprietária do local, a Gerdau.
Também nesta segunda-feira (10), a Polícia Federal (PF) solicitou à Justiça Federal da Bahia a indisponibilidade de bens da siderúrgica Gerdau. A medida visa assegurar recursos para futuras reparações e indenizações socioambientais pela contaminação na faixa litorânea próxima à Praia de São Tomé de Paripe.
Com a vigência do Decreto nº 42.123, os órgãos da Administração Municipal seguem autorizados a adotar as medidas operacionais e administrativas necessárias para a resposta e mitigação dos efeitos do desastre na região.
