Resumo: PF deflagra operação contra esquema de diplomas falsos para medicina, com mandados em Montes Claros, Bocaiúva, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. Ao menos 45 médicos teriam contratado o grupo. Prisões preventivas e temporárias foram decretadas; apuração remete a fraudes já identificadas em 2016.
Palavras-chave: diplomas falsos, CRM, PF, medicina, registro profissional, fraude educacional
Montes Claros – A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (12/8), uma operação para desarticular um esquema de venda de diplomas falsos e de documentos para o acesso a cursos de medicina. A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nas cidades mineiras de Montes Claros e Bocaiúva, além de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, com a expedição de dois mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária contra investigados.
Entre os envolvidos, a investigação aponta a participação de, pelo menos, 45 pessoas já inscritas como médicos no Conselho Regional de Medicina (CRM) que teriam contratado o grupo para obter documentos falsos e viabilizar o registro profissional.
As apurações tiveram início em 2023, quando foi apreendido um diploma falso de medicina apresentado ao CRM no Rio Grande do Sul, supostamente fornecido por um dos investigados. Ao longo do inquérito, passaram a existir indícios de um modelo estruturado de falsificação e comercialização de diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos, utilizados para ingressar ou transferir estudantes para cursos de medicina e, posteriormente, obter o registro junto aos CRM regionais.
Os golpes incluíam tanto a falsificação de diplomas para o registro no CRM quanto a adulteração de documentos de ensino superior para permitir que estudantes ingressassem em cursos de medicina já em andamento ou na fase final de conclusão. A investigação também identificou a circulação de valores entre os investigados e pessoas suspeitas de terem adquirido documentos falsos.
A Polícia Federal anunciará a continuidade das diligências para identificar quem contratou ou utilizou os serviços do grupo criminoso. Em paralelo, a apuração relembra um caso de fraude ocorrida em 2016, quando o principal investigado já era alvo de uma operação da PF ligada ao ENEM, envolvendo recrutamento de professores e estudantes para transmitir gabaritos por meio de dispositivos eletrônicos, em três estados, resultando na prisão de integrantes da organização.

Crédito: Divulgação/PF
