Resumo:
Restauração de Cabeças Cortadas (Glauber Rocha, 1970) ocorre na Espanha, com conclusão prevista para 2027. Exibida no Mercado Internacional de Cinema Clássico durante o Lumière, em Lyon. Trabalho conduzido por Video Mercury Films, FlixOlé e Escola de Cinema de Madrid; partes já digitalizadas em 6K.
Espanha sedia o processo de restauração de Cabeças Cortadas, longa de Glauber Rocha lançado em 1970. O projeto, com previsão de conclusão para 2027, está a cargo das produtoras espanholas Video Mercury Films e FlixOlé, em parceria com a Escola de Cinema de Madri.
Partes digitais já foram obtidas: trechos em 6K, abrangendo os negativos originais de imagem e som. Atualmente, o trabalho concentra-se na recuperação da imagem e na correção de cores, visando preservar a obra para o circuito de cinema clássico.
O enredo acompanha Díaz II, um ditador exilado interpretado por Francisco Rabal, cuja memória de ações repressivas assombra a narrativa. O elenco também traz Pierre Clémenti, Marta May, Rosa María Penna, Emma Cohen e Luis Ciges. O filme estreou em 1970, no Festival de Cinema de San Sebastián, gerando reações díspares entre público e crítica e, na Espanha, enfrentou oposição de bilheteria, contribuindo para o ostracismo da obra no país.
A produção ocorreu na Espanha durante o regime de Franco, quando Glauber Rocha estava em exile da ditadura brasileira. Para viabilizar o financiamento local, o cineasta apresentou o projeto sob o título Macbeth 70, alegando ser uma adaptação da peça de William Shakespeare.
Glauber Rocha é reconhecido como um dos pilares do Cinema Novo no Brasil, responsável por obras como Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. A equipe de restauração, representada pela Video Mercury Films, planeja relançar Cabeças Cortadas em circuitos específicos de cinema clássico restaurado, ampliando o alcance da obra no cenário internacional.

