Setor industrial aponta juros elevados como maior entrave ao crédito

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Juros elevados são o principal obstáculo para o crédito na indústria brasileira, aponta CNI em sondagem de 2026. A pesquisa ouviu 1.701 empresas entre 3 e 12 de agosto sobre condições entre fevereiro e julho, evidenciando quedas parciais nos custos, mas persistência de entraves para micro, pequenas e médias empresas.

Principais barreiras: juros altos, garantias reais, burocracia e carência de prazo, com variações conforme o prazo do financiamento.

Resultados-chave: 76% citam juros no curto/médio prazo e 69% no longo prazo; pequenas e médias registram maiores índices de insucesso.

Impacto na busca por crédito: quase metade não procurou crédito no período analisado; entre quem buscou, frustrações crescem em 2026 frente a 2025.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, nesta sexta-feira (9), a Sondagem Especial 107 — Condições de Acesso ao Crédito em 2026, que aponta os juros elevados como o principal obstáculo para a indústria brasileira obter crédito. A pesquisa, realizada junto a 1.701 empresas industriais de todo o país, ouviu relatos entre 3 e 12 de agosto sobre as condições enfrentadas no período de fevereiro a julho de 2026.

Juros elevados aparecem como a principal barreira entre os empresários. Entre as companhias com dificuldades para obter financiamento de curto ou médio prazo, 76% apontam as taxas como obstáculo; para operações de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, o percentual chega a 69%.

Perfil da amostra: a Sondagem 107 ouviu 1.701 empresas industriais de diferentes portes — 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes — em todo o país, cobrindo o período entre fevereiro e julho de 2026.

Outras barreiras aparecem após os juros. As exigências de garantias reais somam 33,4% no curto/médio prazo e 31,5% no longo prazo. A burocracia é citada por 13,6% das empresas nas operações de curto/médio prazo, enquanto o prazo de carência considerado insuficiente aparece com 18,9% no longo prazo.

Principais obstáculos (resumo)
– Juros elevados: 76% (curto/médio) e 69% (longo);
– Garantias reais: 33,4% (curto/médio) e 31,5% (longo);
– Burocracia: 13,6% (curto/médio);
– Carência insuficiente: 18,9% (longo).

Busca por crédito no curto/médio prazo: 49,9% não tentaram contratar ou renovar; 22,9% conseguiram; 7,5% tentaram, mas não obtiveram.

No longo prazo, 54% não buscaram financiamento; 15,5% conseguiram contratar/renovar; 9,2% tentaram, sem sucesso. Considerando apenas quem efetivamente procurou crédito, a taxa de frustração aumentou em relação a 2025: 24,7% no curto/médio prazo (vs 20% em 2025) e 37,2% no longo prazo (vs 33% em 2025).

Quem busca crédito com maior dificuldade são as pequenas empresas: no longo prazo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram obter o crédito desejado, ante 29,9% entre as grandes.

Agência Brasil - CNIAgência Brasil - EBC

Crédito: Agência Brasil

“A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”, afirma Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.

Resumo: Em levantamento recente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que indústrias brasileiras recorrem a linhas de crédito de longo prazo para financiar despesas do dia a dia. O capital de giro é a finalidade principal em 28,7% das respostas, à frente de investimentos em máquinas (23,6%) e construção (11,6%). No curto/médio prazo, quase 60% citam capital de giro; reduzir custos e simplificar exigências bancárias são apontados como caminhos para facilitar o acesso ao crédito. Palavras-chave: crédito empresarial, capital de giro, CNI, indústria brasileira, linhas de crédito.

A indústria brasileira recorre a linhas de crédito de longo prazo para financiar despesas do dia a dia, aponta pesquisa da CNI. O estudo, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria, indica que o capital de giro é a principal finalidade entre as empresas que buscaram, contrataram ou renovaram esse tipo de crédito, com 28,7% das respostas. Em seguida ficaram os investimentos em máquinas e equipamentos, com 23,6%, e a construção ou instalações, com 11,6%.

Segundo a CNI, o movimento chama atenção porque linhas de longo prazo costumam ser destinadas a investimentos, enquanto despesas como folha de pagamento, materiais e insumos costumam ser financiadas por operações de menor duração.

No curto e médio prazo, quase 60% das empresas apontaram o capital de giro como a principal finalidade do crédito, reforçando a importância dessa modalidade para manter as atividades diárias em funcionamento.

Crédito para despesas

Para as empresas, a redução dos custos tributários e administrativos seria a principal medida para facilitar o acesso ao crédito. A alternativa foi indicada por 38,4% das respostas em operações de curto/médio prazo e por 31,2% para as de longo prazo.

  • Ampliação das linhas públicas: 22,8% no curto/médio prazo e 26,3% no longo.
  • Simplificação das exigências bancárias: 21,1% no curto/médio prazo e 22,1% no longo.

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