Israel vota em pleito que pode tirar Netanyahu do poder

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo jornalístico
Israel realiza eleições neste dia 27 para definir o novo governo, primeira desde o ataque do Hamas em 7/10/2023. Favoritos são três blocos de linha dura, liderados por Netanyahu e por dois oposicionistas. Votação ocorre em cédula de papel; resultados devem sair apenas em 28. Debate central envolve segurança, posição sobre Estado Palestino e assentamentos.

Israel vota nesta terça-feira (27) para definir o próximo governo, em uma eleição que marca a continuidade de decisões estratégicas após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Entre os favoritos, três blocos são liderados por candidatos considerados linhas-duras na área militar e de segurança, incluindo o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do Likud, e dois representantes da oposição.

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Crédito: Agência Brasil

Entre os nomes de peso no pleito de oposição está o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, do partido Yashar (Íntegro), criado em 2025. Eisenkot integrou o gabinete de guerra formado após o 7 de outubro, mas deixou o governo Netanyahu com críticas à condução da operação na Faixa de Gaza, alegando falhas no resgate de reféns; o premiê nega as acusações.

Outra força potencial para derrubar Netanyahu é uma coalizão liderada por Naftali Bennett, do partido Juntos (Beyahad), que já ocupou o cargo de primeiro-ministro de 2021 a 2022.

Avaliação de analistas — Karina Stange Calandrin, professora de relações internacionais do IBMEC em São Paulo, explicou à Agência Brasil que, mesmo com diferenças entre os dois oposicionistas, ambos mantêm uma postura de segurança semelhante à de Netanyahu.

“Os três são de direita. Em termos de segurança, eles são bem parecidos. São partidos que a gente chama de falcões. Em Israel, os partidos são divididos entre falcões e pombas. Os falcões acreditam que se deve lidar com os inimigos de uma forma dura, que negociações e diplomacia não são o caminho para resolver os dilemas de Israel”, explicou.

Para o professor Michel Gherman, do Departamento de Sociologia da UFRJ, mesmo com esse perfil comum, Netanyahu se destaca por representar uma forma de direita mais extrema, com projeto autoritário que, segundo ele, pretende reformar a representatividade democrática e concentrar poder no Executivo.

Questão palestina

Os três favoritos a assumir o poder em Tel Aviv rejeitam a criação de um Estado palestino, alinhando-se com o direito internacional vigente. De acordo com a cobertura da Agência Brasil, o apoio público a um Estado palestino perdeu espaço desde o ataque de 7 de outubro, o que é citado como fator relevante para o pleito e a condução das políticas de segurança e território.

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Resumo: Israel realiza eleições parlamentares nesta terça-feira, com Netanyahu no centro do tabuleiro político; oposição liderada por Eisenkot e Bennett busca formar maioria no Knesset (120 cadeiras), em meio a debates sobre assentamentos na Cisjordânia e tensões com o Hamas. A conjuntura é marcada por uma ofensiva israelense em Gaza desde o ataque de 7 de outubro de 2023.

Israel realiza eleições parlamentares nesta terça-feira, com o atual premiê Benjamin Netanyahu no centro do tabuleiro político; adversários da oposição incluem o militar Eisenkot e o ex-primeiro-ministro Bennett, que tentam formar uma coalizão capaz de governar o país, num Legislativo de 120 cadeiras no Knesset.

Formação de governo — O sistema de governo é parlamentar, e o Knesset de 120 cadeiras exige que o vencedor busque apoio de outras legendas para compor o gabinete. Analistas indicam que o militar Eisenkot e o ex-primeiro-ministro Bennett provavelmente dependerão de alianças com partidos árabes para obter maioria, conforme Karina Calandrin.

“Todos eles já dizem que não vão formar aliança com os árabes israelenses. Vai ser muito difícil a coalizão sem esse apoio. A menos que mudem de ideia e cedam para excluir Netanyahu”, afirmou Calandrin. Michel Gherman, da UFRJ, acrescenta que Eisenkot pode adotar uma postura mais moderada, enquanto Bennet permanece com posição próxima à de Netanyahu.

Netanyahu é a favor de um Estado beligerante completo. Eisenkot é a favor de acordos, não com os palestinos neste momento, mas com os países árabes ao redor

Sete de outubro — Após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou 1,2 mil mortos e cerca de 200 reféns, Israel lançou uma operação militar em Gaza que provocou a destruição de grande parte da infraestrutura civil e resultou em mais de 75 mil mortes, segundo a agência de notícias Wafa.

No âmbito regional, o país também se envolveu em guerras no Líbano, ataques na Síria e uma agressão contra o Irã em parceria com os Estados Unidos. Na Cisjordânia, a política de assentamentos ilegais ganhou novo impulso nos últimos anos.

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