Novembro Roxo reforça cuidados com prematuros após alta
RESUMO: Novembro Roxo alerta que o cuidado de bebês prematuros não termina na alta hospitalar, destacando monitoramento do crescimento, alimentação e desenvolvimento. Dados entre 2022 e 2026 destacam internações, tempo de permanência, readmissões e impactos no desenvolvimento.
Bebês prematuros nascidos antes das 37 semanas exigem acompanhamento contínuo após a alta, conforme a campanha Novembro Roxo, que reforça a necessidade de monitorar crescimento, alimentação e desenvolvimento.


Desenvolvimento da campanha Desenvolvida em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e organizações dedicadas, a edição deste ano tem o slogan: “Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro”. A iniciativa ressalta a importância de olhar além da sobrevivência neonatal e garantir acesso aos serviços após a saída do hospital.
A diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani, afirma que a campanha é uma oportunidade de ampliar a compreensão social sobre as necessidades dessas crianças.
“Durante muito tempo, quando falávamos sobre prematuridade, o olhar estava concentrado principalmente na sobrevivência e nos desafios da internação neonatal. Essa etapa continua sendo fundamental, mas precisamos avançar na discussão sobre o que acontece depois”, disse.
Segundo ela, após a alta, as famílias continuam precisando de orientação, acesso a especialistas e apoio para acompanhar o desenvolvimento da criança. “Investir nesse cuidado é oferecer oportunidades para que cada criança alcance seu potencial, respeitando suas necessidades e sua individualidade”, completou.
Suguitani também ressaltou que é preciso reforçar a esperança sem transformar a prematuridade em uma história de superação obrigatória ou prometer que todas as crianças terão os mesmos resultados. “O acompanhamento adequado não elimina todos os riscos, mas permite reconhecer necessidades, orientar decisões e oferecer apoio em cada etapa”, afirmou.
Um levantamento com base nos dados da DRG Brasil, desenvolvido pelo Grupo IAG Saúde, identificou 75,301 internações relacionadas ao nascimento de bebês prematuros entre janeiro de 2022 e junho de 2026. Desse total, 53,7% envolveram necessidade de cuidados intensivos. A permanência média no hospital foi de 15,2 dias, variando conforme a idade gestacional; entre os bebês nascidos com menos de 28 semanas, a média foi de 49,4 dias.
O levantamento apontou ainda pelo menos 1.789 readmissões hospitalares nos primeiros 30 dias de vida, relacionadas a condições como icterícia (69,4%), problemas alimentares (9,8%) e doenças respiratórias.
Em outro estudo, feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais e publicado em 2024, acompanhou 34 crianças prematuras em um programa híbrido de avaliação do desenvolvimento até os 12 meses de idade corrigida. Entre elas, 18 apresentaram ao menos um resultado alterado nos testes de desenvolvimento, e crianças com sinais de atraso foram encaminhadas para intervenção precoce.
A pesquisa ressalta a importância de manter o acompanhamento além da alta para ampliar as perspectivas de futuro dessas crianças, reconhecendo necessidades e oferecendo apoio adequado em cada etapa do desenvolvimento.
Alícia Vitória nasceu prematura, com 27 semanas, no interior do Maranhão, e permaneceu na unidade neonatal por semanas. Durante esse período, os médicos acompanharam seu desenvolvimento e, ao realizar o teste do pezinho, identificaram suspeita de hiperplasia adrenal congênita, condição que pode exigir tratamento ao longo da vida.
Segundo a médica Rita Silveira, pediatra e neonatologista e professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, o organismo de uma criança nascida prematura ainda está em formação e demanda monitoramento de crescimento, alimentação, respiração e desenvolvimento neurológico, com atenção às particularidades de cada caso.
Patrícia Raquel Dantas Silveira, mãe de Alícia, explicou que, sem acesso imediato a informações no hospital, precisou buscar dados na internet e, para cuidar da filha, viaja mais de 250 quilômetros para as consultas. Nos dois primeiros anos, as visitas foram mensais, com avaliações e ajustes da medicação.
À medida que Alícia cresceu, os intervalos entre atendimentos aumentaram; nos primeiros anos, ela contou com acompanhamento de pediatra e oftalmologista e, posteriormente, precisou de cuidados especiais para acompanhar o seu desenvolvimento.
A família continua acompanhando o crescimento de Alícia com foco em alimentação, respiração, crescimento e desenvolvimento neurológico, respeitando as particularidades e os riscos de cada criança.





