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Nos EUA, Democratas vencem Trump com apoio de progressistas e minorias

Nos EUA, Democratas vencem Trump com apoio de progressistas e minorias
Nos EUA, Democratas vencem Trump com apoio de progressistas e minorias

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RESUMO: A vitória democrata nas midterms sinalizou renovação política nos EUA, com lideranças jovens, de minorias e discurso progressista, influenciando o mapa eleitoral em estados-chave, segundo especialistas.

A vitória democrata nas eleições de meio mandato nos Estados Unidos sinalizou uma mudança na paisagem política, destacando lideranças jovens, de minorias étnicas ou religiosas e propostas progressistas que moldam o cenário nacional.

Segundo Juliano Machado Pires, doutor em ciência política, a avaliação negativa ao Partido Democrata em 2024 decorreu da decepção com o governo Obama, especialmente pela crise bancária e pela percepção de que as duas grandes legendas defendiam, em certa medida, interesses econômicos semelhantes.

A professora Camila Vidal, de Relações Internacionais da UFSC, ressaltou que o pleito de 2026 trouxe democratas fora da chamada “elite” da legenda, ampliando o leque de perfis na candidatura.

O resultado levou o Democrata a conquistar cadeiras de senadores e deputados em estados e distritos que haviam sido perdidos nos anos recentes, incluindo o Texas, o que aproximou o Senado e a Câmara da oposição a Donald Trump, do Partido Republicano.

Pioneiros

Entre os nomes de destaque, está Keisha Lance Bottoms, primeira mulher negra a governar a Geórgia; Deb Haaland, primeira governadora indígena no Novo México; e Chris Papas, primeiro senador abertamente homossexual eleito em New Hampshire.

“São indivíduos que têm uma agenda muito mais progressista, em alguns casos até socialista, enfatizando melhores condições de vida para a classe trabalhadora, saúde universal e gratuita para todos”, comentou à Agência Brasil.

Deb Haaland se tornou a primeira mulher indígena a ser eleita governadora nos Estados Unidos Foto: Reuters/Jasper Colt/Proibida reprodução

Em seu discurso, a governadora eleita pela Geórgia dedicou a vitória às pessoas que não têm acesso a serviços de saúde e de educação, devido ao alto custo de vida, defendendo a ampliação do Medicare na região.

O professor de história da Brown University, James N. Green, explicou à Agência Brasil que, nos EUA, os dirigentes partidários locais possuem flexibilidade para definir políticas estaduais, o que contribuiu para essa renovação. “A diversidade do Partido Democrata permitiu candidaturas variadas que conseguiram atrair uma base da população, frente à gestão de Trump, que motivou muitos a romper com ele e apoiar os democratas”, avaliou.

Evangélico progressista

Outro nome de destaque foi James Talarico, que venceu o Senado pelo Texas, derrotando os republicanos pela primeira vez em quase 40 anos no estado.

Essa também foi a primeira vez que o Texas elegeu uma governadora latina, Gina Hinojosa, após décadas de hegemonia.

Em Texas, James Talarico, 37 anos, vencedor da indicação ao Senado, abriu a série de falas com uma mistura de religião e justiça social, destacando a necessidade de apoiar a classe trabalhadora diante de políticas nacionais em debate.

James Talarico no Texas

Filho de pastor e seminarista presbiteriano, Talarico passou a ser visto como um representante de uma linha que resgata a presença da fé na pauta trabalhista. Ele referenciou críticas à política de imigração associada à administração anterior, incluindo controvérsias sobre a separação de famílias e decisões que impactaram recursos destinados à saúde, ao mesmo tempo em que apoiou cortes de impostos para faixas de renda mais altas, conforme análise de especialistas.

O Texano foi apresentado pelos comentaristas como um crítico firme da agenda associada aos pilares da extrema-direita do Partido Republicano, que, segundo observadores, tem atacado minorias e grupos marginalizados dentro dos EUA. A acadêmica Camila Vidal, da UFSC, apontou que Talarico retorna a uma tradição que, para alguns, poderia ter sido abandonada pelo Partido Democrata desde os períodos de governo de Bill Clinton.

“Vinda de um estado como o Texas, a leitura de Talarico é emblemática: ele busca trazer a religião para o terreno do trabalhador e dialogar com uma base empobrecida que representa uma parte substancial da população atual nos EUA. É uma surpresa relevante”, comentou Vidal.

Abdul El-Sayed, primeiro muçulmano no Senado

Também chamou atenção a eleição de Abdul El-Sayed, que venceu a disputa para o Senado de Michigan, tornando-se o primeiro muçulmano a ocupar aquele cargo no estado. Em seu discurso de vitória, El-Sayed criticou o que considera um lobby pró-Israel que, segundo ele, destina recursos consideráveis para influenciar políticas públicas.

Abdul El-Sayed venceu a disputa pela vaga no Senado do estado de Michigan. Foto: Reuters/Ryan Garza/Proibida reprodução

No dia da eleição, o presidente Donald Trump anunciou a suspensão da ajuda militar dos EUA a Israel no montante de US$ 4 bilhões, um movimento que analistas interpretaram como tentativa de influenciar votos em candidaturas que criticam o financiamento americano a Israel.

“Tentam rotular você como alguém cheio de ódio se você acredita que crianças palestinas deveriam poder crescer na terra de seus antepassados sem serem assassinadas com o dinheiro dos nossos impostos”, afirmou o senador eleito.

“A única minoria que está destruindo os Estados Unidos é a dos bilionários. Muitas das divisões neste estado e neste país são fabricadas por bilionários que querem que lutemos uns contra os outros, em vez de lutarmos contra eles”, disse Talarico em um evento de campanha.

“O presidente dos EUA disse que eu insultei Jesus. Sabe o que insulta Jesus? Deixar os pobres sem assistência social enquanto corta impostos de bilionários. Sabe o que insulta Jesus? Deportar o estrangeiro e separar mães de seus bebês”, disse.

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