Juiz solta capitão da PM-BA preso por suspeita de participar de esquema com armas para facções

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Um oficial da Polícia Militar (PM-BA), homenageado como “destaque policial do ano de 2023” por seu “notável desempenho em serviço”, teve sua prisão preventiva revogada pela 1ª Vara Criminal de Juazeiro, localizada no Sertão do São Francisco, devido a acusações de participação em um esquema ilícito de compra e venda de armas para facções criminosas.

Conhecida como Operação Fogo Amigo, a ação resultou na detenção do capitão Mauro Grunfeld, juntamente com outros 19 envolvidos, desvendando as atividades criminosas da organização apelidada de “Honda”.

De acordo com informações da TV Bahia, a decisão de libertação foi proferida pelo juiz Eduardo Ferreira Padilha. Em sua determinação, o magistrado enfatizou que a prisão preventiva deve ser uma medida excepcional, aplicada somente diante de evidências concretas de ameaça à ordem pública ou à instrução processual.

Enquanto isso, o Ministério Público do Estado (MP-BA) expressou discordância com a decisão judicial, porém o juiz argumentou que o capitão não ocupava posição de liderança na suposta organização criminosa, podendo enfrentar o processo em liberdade devido à falta de antecedentes criminais.

A Corregedoria da Polícia Militar confirmou que o capitão Mauro Grunfeld está sujeito a um processo administrativo disciplinar (PAD), independentemente das investigações criminais em curso. Conforme a Operação, o envolvimento de Grunfeld no esquema foi revelado por intermédio de conversas em aplicativos de mensagens. O oficial nega veementemente as acusações, alegando que as armas eram adquiridas para uso pessoal.

Grunfeld foi identificado como o principal financiador de Gleybson Calado do Nascimento, também policial militar da Bahia e apontado como um dos principais operadores do esquema que movimentou cerca de R$ 10 milhões entre 2021 e 2023.

De acordo com reportagens da TV Bahia, um documento sigiloso evidencia que, entre 18 de fevereiro de 2021 e 13 de fevereiro de 2022, o capitão transferiu R$ 87,3 mil para Nascimento. A investigação também revelou que as armas e munições tinham um destino específico, grupos criminosos atuantes no Bairro do Calabar, em Salvador.

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