X razões para desconfiar de Musk (Por David Pontes)

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A jornalista chinesa Zhang Zhan passou quatro anos na prisão por “provocar discussões e problemas” ao documentar e compartilhar nas redes sociais o ocorrido em Wuhan durante a pandemia de covid-19. Em maio deste ano, ela desapareceu, foi condenada em um julgamento fictício e só foi libertada em 13 de maio. Atualmente, está detida pelas autoridades chinesas no Centro de Detenção do Novo Distrito de Pudong, em Xangai, conforme denúncia da Amnistia Internacional.

Ao ler sobre o caso de Zhang Zhan e de tantos outros jornalistas e cidadãos comuns sendo presos e perseguidos em regimes que restringem a liberdade de expressão, é inevitável ponderar sobre o que está acontecendo no Brasil em relação a uma determinada rede social.

É interessante notar que é em Xangai, onde Zhang Zhan está detida, que o proprietário da referida rede, Elon Musk, possui sua principal fábrica de produção da Tesla. Na mesma China que baniu o Twitter em 2009, sem que isso tivesse gerado alguma reação, devemos ampliar nosso olhar sobre o que ocorre no Brasil, indo além de simplesmente um suposto ataque à liberdade de expressão.

A proibição da referida rede social implica em uma restrição à expressão dos brasileiros, porém, nada impede que eles migrem para outras plataformas. Apesar de parecer desproporcional banir toda uma rede, existem fundamentos legais para punir a empresa, como argumentou um juiz e foi confirmado por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal brasileiro.

Este caso também possui dimensões políticas, já que a referida rede não é uma empresa comum, considerando seu proprietário, Elon Musk. Um indivíduo que tem conexões com Xi Jinping, apoia Benjamin Netanyahu, Recep Tayyip Erdogan, Giorgia Meloni e Donald Trump. Musk decidiu banir links para um documentário da BBC prejudicial a Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, um mercado significativo para a rede e para a Tesla. Além disso, é um forte apoiador de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, país que possui importantes reservas de lítio essenciais para a produção de baterias elétricas.

“Brasil contra a X” envolve questões de liberdade de expressão e uma tentativa de regulamentação das redes sociais, porém, seria ingênuo não enxergar nesse episódio o desafio representado pelos megaempresários como Musk, verdadeiras potências na forma como interferem nos assuntos nacionais em defesa de seus interesses. Uma visão abrangente facilita a escolha de um posicionamento.

(Transcrito do PÚBLICO)

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