Copom deve elevar juros a 14,75% ao ano, o maior nível em quase 20 anos

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Caso se confirme aumento de 0,5 ponto percentual, a nova taxa iguala o nível de julho de 2006, no final do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

  • Por Jovem Pan
  • 07/05/2025 10h00 – Atualizado em 07/05/2025 11h49

Raphael Ribeiro/Banco Central

Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil.

Copom divulgará nesta quarta-feira (7) sua decisão sobre novo patamar da Selic

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deve anunciar nesta quarta-feira (7) mais um aumento da taxa básica de juros (Selic), consolidando um ciclo de alta de oito meses. Com a previsão de elevação de 0,5 ponto percentual, a Selic deve chegar a 14,75% ao ano, o maior nível desde agosto de 2006. Em contraste àquele período, quando o Banco Central buscava cortar os juros, o cenário atual é de aperto monetário.

A elevação da Selic visa controlar a inflação, que ultrapassa a meta oficial. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registra alta de 5,48% em 12 meses, impulsionada pelos custos de alimentos e saúde. A meta inflacionária é de 3%, com um teto de 4,5%. Segundo o próprio BC, há 70% de chance de não atingir essa meta.

O cenário global também gera incertezas, especialmente devido à guerra comercial entre EUA e China, além das políticas do Federal Reserve americano. Apesar das pressões para cortes de juros, o Fed deve manter suas taxas entre 4,25% e 4,50% ao ano. Há divergências entre analistas sobre o futuro da política monetária no Brasil, com alguns acreditando em um último ajuste em junho, com aumento menor, e outros vendo a alta atual como o fim do ciclo.

O aumento da Selic encarece o crédito, o que desestimula o consumo e investimentos, podendo frear a atividade econômica. Mesmo com juros elevados, a taxa de desemprego no primeiro trimestre subiu para 7%, mas continua no menor nível desde 2012. Com um mercado de trabalho aquecido, a renda média da população vem aumentando, o que sustenta o consumo.

Diante dessa nova decisão, o mercado revisou suas projeções, com a mediana das estimativas para a Selic ao final de 2025 caindo para 14,75% ao ano. Entretanto, a expectativa é que os juros não voltem a um dígito antes de 2028, estabelecendo um horizonte de juros altos para controlar a inflação. A decisão final do Copom será divulgada no final da tarde de hoje.

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