Quadra 37: abandono marca área vizinha à futura sede de governo de SP. Veja vídeo

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Resumo: um quarteirão inteiro no centro de São Paulo, conhecido como Quadra 37, permanece abandonado desde 2017, quando a prefeitura tentou impor um projeto de revitalização que custou cerca de R$ 28 milhões em desapropriações. A área envolve a Alameda Barão de Piracicaba, o Largo Coração de Jesus, a Alameda Dino Bueno e a Rua Helvétia, e hoje convive com fachadas tombadas, casas degradadas e moradores de rua.

No coração dos Campos Elíseos, o quarteirão abriga histórias de antigas pensões, comércios e casarões que já foram vizinhos de uma Cracolândia remontada ao longo dos anos. O abandono ganhou contornos de símbolo de uma tentativa de intervenção pública que não saiu do papel e acabou gerando custos públicos significativos, sem que haja uma conclusão definitiva sobre o destino da área.

Em 2017, sob a gestão do então prefeito João Doria, uma ação de desapropriação expulsou comércios e demoliu imóveis como parte de um plano de revitalização do centro. O objetivo incluía transformar casarões tombados em equipamentos públicos, espaços comerciais ou áreas de uso comum para futuras unidades habitacionais. Um estudo de 2018 indicava até mesmo a possibilidade de instalar uma UBS (Unidade Básica de Saúde) no casarão entre a Alameda Dino Bueno e o Largo Coração de Jesus, mantendo fachadas históricas em conformidade com os órgãos de patrimônio, CONPRESP e CONDEPHAAT.

Durante a pandemia, a prefeitura de Bruno Covas retirou moradores das pensões da Quadra 37, prometendo que eles seriam contemplados pelas novas moradias previstas. Um acordo entre prefeitura e governo estadual chegou a prever a cessão da posse dos terrenos, totalizando mais de 5,4 mil m², para uma parceria público-privada que ergueria moradias nos terrenos vizinhos. Contudo, o destino do quarteirão nunca ficou definido, e os imóveis continuaram vazios enquanto a construção não andava. A prefeitura chegou a gastar cerca de R$ 28 milhões para manter o processo de desapropriação, mas a transferência de propriedade ainda não foi finalizada na Justiça. Em fevereiro de 2025, a gestão municipal de Ricardo Nunes (MDB) e a do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) romperam o acordo, devolvendo o tema à esfera municipal.

O quarteirão vizinho, Quadra 38, também está envolvido no debate, com imóveis igualmente abandonados. Em 2023, um dos muros desabou sobre um carro no Largo Coração de Jesus, resultando em ferimentos no motorista e levando à instalação de estacas para sustentar fachadas ainda de-compostas. Hoje, o acesso a uma das vias permanece parcialmente fechado, sinalizando a fragilidade da estrutura e a incerteza sobre o futuro do local.

De acordo com números oficiais, quase 200 famílias estavam cadastradas para programas habitacionais na região; apenas 22 foram contempladas com unidades, enquanto 140 deveriam receber atendimento definitivo pelo programa municipal Pode Entrar, no empreendimento Marquês de São Vicente. Destas, 88 ainda recebiam auxílio aluguel. O município e o estado reconhecem a necessidade de ações para atender essas famílias, mas não houve um plano claro para integrá-las a novas habitações até o momento, o que mantém a região sem uma solução habitacional estável.

Entre as histórias que resistem ao silêncio das obras, surge a curiosa lembrança de um morador vizinho que relata ter ouvido de um dependente químico a existência de um “tesouro” escondido entre os escombros. Segundo ele, havia pratarias sob o assoalho, e uma moeda de 100 réis, datada de 15 de novembro de 1889, teria sido entregue como presente de despedida. Embora essa lembrança tenha um toque poético, ela ilustra como o quarteirão ainda é parte da memória da cidade, uma lembrança que não cabe apenas na arquitetura, mas também na vida das pessoas que o cercam.

Galeria de imagens: a Quadra 37 é retratada por fotografias que evidenciam fachadas degradadas, paredes emparedadas e o abandono que marca o local. Acompanhando as fotos, evidências de árvores crescendo entre prédios, pichações e lembranças de uma história que resistiu ao tempo, enquanto a cidade busca uma solução compartilhada com foco em preservação e benefício público.

Para a cidade, o desafio é claro: manter o patrimônio, proteger moradores e, ao mesmo tempo, encontrar um uso viável para o quarteirão que já foi eixo de vida social e econômica. Enquanto isso, as famílias sem moradia aguardam respostas concretas, e a cidade acompanha de perto os desdobramentos entre prefeitura, governo estadual e órgãos de patrimônio.

Agora, queremos ouvir você: qual destino você acha mais adequado para Quadra 37 e Quadra 38? Comente abaixo suas sugestões, perspectivas e experiências com projetos de revitalização no centro de São Paulo. Sua opinião ajuda a entender as diferentes visões sobre o futuro desse espaço que ainda guarda memórias importantes para a cidade.

Observação editorial: as imagens acima ilustram o estado da Quadra 37 e áreas vizinhas, reforçando a narrativa de abandono e a complexidade das decisões sobre o futuro da região, sem representar uma conclusão final sobre o destino das obras públicas. As datas e os contextos apresentados refletem reportagens locais sobre o tema.

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