Resumo: Tensões entre Washington e Brasília sobre classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas ganharam fôlego. A professora Natalia Fingermann, da ESPM, explica, em entrevista ao Metrópoles, que as diferenças entre terrorismo e narcotráfico impactam diretamente a política externa de ambos os países. O Brasil busca cooperação internacional para enfrentar o crime sem permitir ingerência externa. O tema ganhou impulso após uma comunicação dos EUA ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a possibilidade de rotulagem, um movimento que se insere no debate sob a atual administração de Donald Trump.
Fingermann sustenta que a distinção entre os objetivos de grupos terroristas e de organizações ligadas ao narcotráfico é fundamental. Enquanto o terrorismo visa disseminar o medo, o narcotráfico busca estabilidade e paz social para assegurar lucros no comércio internacional. A especialistas ressalta que a leitura norte-americana sobre o tema vem se delineando desde a entrada de Donald Trump, moldando a forma como se define o que configura uma organização terrorista estrangeira e quais consequências isso traz para as relações com o Brasil.
A eventual classificação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras (FTOs) representaria um marco na política externa dos EUA na região, com impactos diretos no âmbito financeiro. O status acionaria ferramentas mais rigorosas do Departamento do Tesouro para o combate ao financiamento ilícito, elevando a pressão sobre redes criminosas transnacionais. A análise de Fingermann, porém, enfatiza que esse movimento não é apenas técnico: envolve estratégia de governança, parcerias internacionais e o equilíbrio entre soberania e cooperação regional.
Do lado brasileiro, o Palácio do Planalto tem reiterado a preferência por evitar a rotulagem e buscar cooperação internacional para enfrentar o crime, evitando o que vê como uma intervenção externa. O objetivo é que a resposta conjunta não dependa de uma atuação unilateral dos EUA, mas de instrumentos compartilhados de combate ao narcotráfico. A especialista também aponta que, segundo o direito internacional, a rotulagem por si só não autoriza ingerência direta no Brasil, o que reforça a necessidade de alinhamento entre as nações para enfrentar o desafio de forma equilibrada.
Concluindo, o debate permanece vivo e complexo, com o Brasil buscando manter autonomia institucional e ampliar a cooperação regional no combate ao crime organizado. Deixe sua opinião nos comentários: como você enxerga o papel da cooperação internacional versus a soberania nacional nessa discussão que envolve segurança pública, finanças e relações exteriores? Sua leitura ajuda a entender os impactos práticos dessa pauta e o caminho que pode ser adotado pela região.

