Prometem o céu, entregam o inferno (por Mary Zaidan)

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Resumo: a corrida presidencial de 2026 mostra candidatos de direita apresentando diretrizes de governo marcadas por promessas rápidas e, para analistas, de tom populista. Romeu Zema, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos defendem mudanças no Judiciário, endurecimento no combate ao crime e até anistias a golpistas, enquanto atacam o STF. O texto ressalta que o presidente tem poder limitado frente ao Congresso e que deputados e senadores — não apenas o chefe do Executivo — decidirão a viabilidade de cada proposta. A diferença entre os oposicionistas é ténue, o que pode favorecer um segundo turno, mas dificulta a leitura clara de propostas pelos eleitores.

O primeiro a externalizar diretrizes de governo foi Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais. Em tom de campanha, ele aposta em soluções rápidas para problemas complexos e reaparece com promessas que soam como “soluções mágicas”, incluindo a ideia de algo parecido com “lotes no céu” que, na prática, dificilmente se materializariam. Zema também defende a anistia para golpistas e aumenta a pena de prisão para criminosos, além de propor mudanças no Judiciário, com entrada na Suprema Corte aos 60 anos e mandato fixo de 15 anos.

Entre os demais ilustres da direita, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos já circularam com trailers de campanha semelhantes: reduzir ou eliminar obstáculos ao cumprimento de leis, endurecer a luta contra o crime e questionar o papel do STF. Alguns chegam a sugerir enquadrar facções perigosas como terroristas, em uma linha de comunicação que lembra estratégias adotadas por líderes de outros países. Caiado, que governou Goiás, amplia a cartilha de segurança que criticava no governo federal, criando um paradoxo entre o que promete hoje e o que implementou lá atrás.

No lado do atual governo, o presidente Lula enfrenta uma equação menos previsível. Embora mostre resultados em empregos, renda e atividade econômica, ele precisa lidar com inflação de alimentos e a resistência no Parlamento a mudanças importantes. Boa parte de suas propostas depende de apoio do Congresso, que exige maioria qualificada para emendas constitucionais. Medidas como a jornada de trabalho 5×2 ilustram esse entrave: sem apoio de deputados e senadores, o Executivo fica limitado a propostas que já estão engatilhadas no Legislativo.

O peso decisivo das eleições de 2026 recai, portanto, sobre deputados e senadores. A oposição busca uma frente que some forças suficientes para um segundo turno, mas a leitura de propostas acaba ficando confusa para o eleitor, já que as posições tendem a convergir em temas como combate ao crime, fiscalização da Justiça, privatizações e ajuste fiscal. Mesmo com diferenças declaradas, há uma sensação de que boa parte das propostas é construída para agradar a plateia, sem compromisso claro com o viável.

Diante desse cenário, vale olhar com lupa cada promessa e exigir metas verificáveis, prazos realistas e etapas de implementação. Quais propostas parecem mais factíveis dentro do arcabouço constitucional? Quais compromissos dependem de acordos no Congresso? E como cada candidato planeja sustentar suas prioridades sem comprometer a estabilidade econômica do país? Queremos ouvir você: quais pontos você considera determinantes para o futuro da cidade e do país? Compartilhe suas opiniões nos comentários e participe da discussão com base em fatos e propostas concretas.

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