Resumo: Na corrida decisiva do GP da Austrália, disputada em Adelaide em 1986, o estouro de pneu na Williams de Nigel Mansell na volta 64 abriu caminho para Alain Prost vencer e conquistar o segundo título mundial. A vitória manteve a McLaren na disputa pelo campeonato, enquanto a Williams-Honda carimbou o título de construtores. A prova é lembrada pela estratégia de combustível, pela fadiga dos pneus e pela habilidade de Prost em capitalizar o infortúnio dos rivais.
A temporada de 1986 foi dominada pela potência dos motores turbo Honda na Williams, mas a consistência de Prost na McLaren manteve o duelo aceso. O regulamento da época limitava o combustível a 195 litros para a prova inteira, elevando a importância do gerenciamento de consumo e dos pneus. O sistema de pontos premiava apenas os 11 melhores resultados, o que tornava cada corrida crucial para o título.
No dia da corrida, Mansell largou na pole, mas resistiu apenas no início. A Goodyear havia informado que seus compostos poderiam suportar a prova sem trocas, o que levou Williams a manter os dois carros em pista. O primeiro golpe de drama veio com a retirada de Keke Rosberg na volta 62, com a delaminação do pneu traseiro direito, que o piloto interpretou como falha de motor. Sem aviso claro, menos de duas voltas depois o pneu traseiro esquerdo de Mansell estourou na reta Brabham, a quase 290 km/h, pondo fim à sua chance de título.
Enquanto a Williams chamava Nelson Piquet para um pit stop de segurança, Prost herdou a liderança. Mesmo com o computador de bordo apontando reserva de combustível, o francês cruzou a linha de chegada na frente, garantindo o segundo campeonato mundial e deixando o mundo do automobilismo em choque.
As consequências foram profundas: Prost tornou-se o primeiro bicampeão consecutivo desde Jack Brabham em 1959-1960, e a Williams-Honda levou o título de construtores com grande vantagem. Mansell só conquistaria o campeonato seis anos depois, em 1992, ainda pela Williams. Piquet terminou em terceiro no campeonato daquele ano, mas repetiria o feito em 1987 ao conquistar seu tricampeonato.
Curiosidades do dia ajudam a entender o espetáculo: Mansell, com mais de 1.000 cavalos sob o capô, controlou o carro em condições extremas por minutos após o estouro, sem bater. Rosberg ficou na mureta gritando para que Prost fosse chamado para troca de pneus, uma ordem que pode ter mudado o desfecho. Prost operou quase com o tanque na reserva, reduzindo o ritmo nas curvas para não esgotar o combustível, chegando à bandeira quase sem combustível. A narração de Murray Walker ficou célebre, com o comentarista proferindo a frase icônica que capta o tenor do momento: “And look at that! Colossally, that’s Mansell!”
O episódio segue como um dos momentos mais marcantes da história da Fórmula 1, destacando a importância da estratégia, da confiabilidade e da tomada de risco. E você, leitor, o que acha mais marcante desse desfecho? Deixe seu comentário com a sua leitura sobre como Prost soube transformar o infortúnio alheio em título mundial.

