A criatividade deixou de ser talento e virou infraestrutura

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Um relatório do Fórum Econômico Mundial coloca a criatividade entre as competências centrais que as empresas vão exigir até 2030, muito além de um diferencial estético. A pesquisa ouviu mais de mil empregadores que dão suporte a 14 milhões de trabalhadores em 55 economias e aponta que a criatividade será essencial como elemento transversal, ao lado de raciocínio analítico, resiliência e liderança. Apesar do avanço da IA, o texto reforça: o futuro pertence àqueles que conseguem pensar de modo original, em vez de apenas repetir padrões.

Segundo o relatório Future of Jobs 2025, 39% das competências exigidas até 2030 serão diferentes das atuais e 63% dos empregadores citam a lacuna de habilidades como a maior barreira para a transformação de seus negócios. Esses números reforçam a ideia de que criatividade não é mais um talento reservado a áreas tradicionais de comunicação ou design, mas uma função transversal que cada setor precisa incorporar para manter a competitividade.

A inteligência artificial generativa acelera esse reposicionamento ao realizar em segundos tarefas que antes exigiam dias de trabalho qualificado, como resumos, códigos e textos. Ainda assim, a IA está “olhando para o passado”, treinada em dados anteriores e pronta para remixar o que já foi feito. Por mais impressionante que seja, não substitui o impulso humano de criar algo novo, relevante e conectado ao contexto atual.

Há, porém, um mal-entendido comum sobre criatividade nas empresas: não é apenas aquele momento de insight durante a reunião. Criatividade corporativa é um método, uma disciplina: questionar premissas, aceitar hipóteses contraditórias na mesa e testar rápido antes de decidir. É exatamente o oposto do improviso. Sem esse processo, as organizações acabam repetindo o que já sabem, esperando que o contexto não mude.

No Brasil, a tolerância ao erro e a valorização da experimentação ainda deixam a desejar. Muitas equipes priorizam a execução, tratam o erro como falha de caráter e, como consequência, entregam mais do mesmo e demoram a reagir a mudanças. Com a IA tornando a execução mais acessível, esse modelo tende a falhar. As empresas que se destacam já começam a redesenhar avaliações de desempenho para premiar hipóteses testadas e delegar decisões para quem está mais próximo do cliente.

Essas organizações também investem em diversidade cognitiva — contratando pessoas que pensam diferente, não apenas com currículos alinhados aos atuais executivos. Descentralizar decisões, reduzir camadas e incluir equipes diversas no desenvolvimento de produtos e serviços são passos práticos para manter a competitividade em um cenário de avanço tecnológico rápido.

Criatividade não é dom reservado a poucos. É uma habilidade treinável, mensurável e que precisa de prática constante. Países que investem no ensino da criatividade desde a escola básica até a formação superior, bem como dentro das empresas, ganham vantagem competitiva. Quem ainda vê a criatividade como luxo corre o risco de ficar para trás à medida que a IA torna a prática de execução cada vez mais padronizada.

A criatividade, hoje, funciona como infraestrutura produtiva. A IA pode ampliar o que já criamos, mas quem pensa de forma original continua ditando o ritmo do mercado. O futuro dos negócios depende de quem questiona, conecta áreas distintas e experimenta sem medo de errar. E você, o que tem feito para exercitar esse músculo na sua cidade? compartilhe suas ideias nos comentários e conte como a criatividade está influenciando o seu trabalho ou a sua localidade.

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