Pew Research Center, no âmbito do projeto Global Religious Futures, revela uma tendência mundial de quedas líquidas da Igreja Católica em quase todos os países analisados, enquanto o protestantismo cresce, sobretudo na América Latina. A pesquisa acompanha mudanças na afiliação religiosa de adultos que mudaram a fé com relação àquela em que foram criados. Em 21 das 24 nações estudadas, mais pessoas abandonaram o catolicismo do que ingressaram, sinalizando uma reconfiguração substancial da paisagem religiosa global.
A análise envolve 24 países distribuídos entre Europa, América Latina, América do Norte, África e Ásia-Pacífico, examinando transições entre a fé de criação e a filiação religiosa na vida adulta — incluindo mudanças entre tradições cristãs ou entre fé e não fé. Em termos gerais, o cristianismo aparece como o segmento com as maiores saídas por mudança de fé, mas com variações marcantes entre católicos e protestantes, conforme cada cenário nacional.
Entre os destaques, a Itália registra que 22% dos adultos criados católicos não se identificam mais como católicos, e apenas 1% ingressa no catolicismo após outra criação ou sem afiliação. O resultado é uma queda líquida de 21 pontos percentuais. A Hungria surge como exceção: os novos adeptos superam os que deixaram a igreja. Na Polônia, 92% permanecem católicos ao longo da vida, e 96% foram criados na igreja; no Chile, 19% dos adultos são ex-católicos sem qualquer filiação religiosa. Em várias regiões africanas e outras áreas, os padrões variam, com muitos ex-católicos migrando para o protestantismo.
Mesmo com as perdas, o catolicismo continua a ser a religião majoritária em oito países estudados. A Polônia lidera com 92% de católicos, seguida pelas Filipinas (80%) e pela Itália (69%). Esses números revelam que, embora haja uma tendência de afastamento, a identidade católica permanece enraizada em várias sociedades, ao passo que as mudanças são mais fortes em outras partes do mundo.
No campo do protestantismo, o movimento registra ganhos líquidos em muitas nações, com maior expansão na América Latina. No Brasil, por exemplo, 15% dos brasileiros aderiram ao protestantismo após terem sido criados fora dessa tradição, enquanto 6% dos que cresceram protestantes deixaram a fé. Países como México, Nigéria, Gana e Filipinas também mostram avanços protestantes, contribuindo para equilibrar parte das perdas católicas.
Entre as exceções, Suécia, Alemanha e Reino Unido aparecem entre os países com as maiores quedas líquidas para o protestantismo, com muitos ex-protestantes migrando para a não religião. Na Austrália, 15% dos adultos que já foram protestantes não mantêm afiliação religiosa. Gana e Quênia se destacam como casos em que o protestantismo continua representando bolsões expressivos da população — 62% em Gana e 55% no Quênia.
A pesquisa foi financiada pelo Pew-Templeton Global Religious Futures, com apoio das fundações The Pew Charitable Trusts e John Templeton, além de outras organizações filantrópicas para a condução dos estudos nos EUA. Os números ajudam a entender como as trajetórias religiosas se entrelaçam com mudanças demográficas, culturais e sociais ao redor do mundo.
Como esses movimentos afetam comunidades, políticas públicas e o cotidiano das cidades, é o tema que fica em aberto. O que você tem observado em sua localidade sobre fé, pertencimento e identidade religiosa? Compartilhe suas experiências, opiniões e relatos nos comentários abaixo para a gente entender melhor o que essa maré de mudanças significa no dia a dia das pessoas. A conversa está aberta.
