Um relatório da Anistia Internacional denuncia uma escalada de violência no leste da RDC, com o grupo ADF, ligado ao Estado Islâmico, promovendo massacres, sequestros e ataques a aldeias e igrejas. O estudo de 61 páginas, baseado em 71 entrevistas entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, aponta vítimas majoritariamente cristãs e descreve uma crise humanitária que se amplifica.
A pesquisa foca nas províncias de Kivu do Norte e Ituri, onde as ações da ADF seriam frequentes e sistemáticas. Entre os incidentes mais graves está o ataque a uma igreja na aldeia de Komanda, que deixou mais de 40 fiéis mortos, e o massacre em Ntoyo, em 8 de setembro de 2025, quando mais de 60 pessoas perderam a vida sob camadas de violência. Os investigadores registraram ataques a vilarejos, funerais, fazendas e instalações de saúde, com o uso de facas, machados e armas de fogo.
As sobreviventes narraram cenas de pânico e violência indiscriminada. Em várias ocasiões, civis foram alvos de ataques durante percepções de segurança tardias ou inexistentes pelas forças oficiais. Relatos de ferimentos graves, destruição de casas e deslocamentos forçados reforçam a gravidade da situação e o impacto de longo prazo sobre famílias inteiras.
O relatório também descreve abusos contra crianças e mulheres, com raptos, trabalhos forçados, doutrinação e, em muitos casos, violência sexual e casamento coercitivo. Jovens sequestrados relataram tornarem-se parte de uma rede de recrutamento e doutrinação, com pressões extremas para obedecer e lutar. Mulheres e meninas enfrentaram alguns dos piores abusos, incluindo gravidez forçada e estigmatização na volta à comunidade local após os ataques.
A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, afirmou que os civis no leste da RDC sofrem “uma campanha de abusos desumanizante” e que a violência da ADF agrava uma crise humanitária que já desloca milhares e interrompe serviços básicos como alimentação, saúde e educação. A organização pediu à região internacional que fortaleça proteção civil, sistemas de alerta precoce e, sobretudo, justiça e responsabilização, além de apoio médico, psicológico e de reintegração para sobreviventes e comunidades afetadas. Também conclamou as Forças de Defesa australianas a cessarem ataques contra civis e a libertarem cativos, enfatizando a necessidade de respostas coordenadas com a ONU, a União Africana e parceiros internacionais.
O relatório também aponta que a atenção internacional sobre outros conflitos, como o M23, pode ter permitido que as ações da ADF se intensificassem, desviando recursos de segurança. A Anistia Internacional reforça que a paz e a segurança devem ser restauradas com urgência para que as comunidades afetadas possam reconstruir suas vidas. E você, o que acha que pode — e deve — ser feito para proteger civis e garantir justiça no leste da RDC? Compartilhe sua opinião nos comentários.
