Resumo do caso: Eduardo Bolsonaro, cassado deputado, não era apenas um figuração na cinebiografia Dark Horse sobre Jair Bolsonaro. Documentos de The Intercept Brasil revelam que ele atuou como produtor-executivo, com poder sobre a gestão financeira do projeto e sobre o orçamento, levantando questões sobre o financiamento.
Novembro de 2023 traz contratos que colocam Eduardo e Mario Frias no comando da produção-executiva, cargo que envolve a alocação de verbas. Em fevereiro de 2024, uma minuta de aditivo reforça o papel dele como financiador, contrariando a ideia de participação restrita a divulgar a história de vida do pai.
Contrato cita que Eduardo, que consta como “financiador”, se compromete a “financiar” | Foto: Reprodução / The Intercept Brasil
NOVA FOLHA DE PAUTA A investigação mostra que a influência de Eduardo ia além do título formal. Conversas entre o empresário Thiago Miranda e o banqueiro Daniel Vorcaro, em março de 2025, o apontam como articulador financeiro. Em uma troca, Eduardo sugere que os recursos já estejam nos EUA para acelerar operações entre Estados.
Entre os bastidores, a produção fica vinculada à GoUp Entertainment, sediada na Flórida, que divide sócios com o Instituto Conhecer Brasil. O MP e o STF acompanham suspeitas de irregularidades em contratos de Wi?Fi público em São Paulo e no uso de emendas apresentadas por Mario Frias.
A Polícia Federal investiga se parte dos US$ 24 milhões — avaliados em cerca de R$ 134 milhões na época — negociados por Flávio Bolsonaro com o banqueiro Vorcaro foi usado para financiar a vida de Eduardo nos Estados Unidos. Relatos indicam que ao menos US$ 10,6 milhões foram transferidos, entre fevereiro e maio de 2025, para um fundo controlado por aliados de Eduardo, incluindo o seu advogado de imigração.
Eduardo e Flávio Bolsonaro foram procurados, mas não responderam até o momento. A defesa de Mario Frias nega que Eduardo tenha sido produtor ou recebido valores. Já Thiago Miranda afirma ter apenas intermediado contatos entre investidores e interessados no projeto, sem assumir controle financeiro.
