Compliance Zero completa 6 meses; o que a investigação sobre o Master já revelou

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Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, completa seis fases desde 2024, revelando uma das maiores fraudes já vistas no sistema financeiro brasileiro. Ao todo, foram expedidos 116 mandados de busca e apreensão e 21 prisões temporárias ou preventivas, com bloqueio de aproximadamente R$ 27,71 bilhões em bens. A investigação expõe uma complexa rede envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, políticos, servidores públicos e empresários, conectando os desvios a várias regiões do país.

A apuração — iniciada a pedido do Ministério Público Federal em 2024 — aponta a fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro e a substituição de ativos por outros sem avaliação técnica. O esquema, segundo a PF, envolveria negócios entre o Banco Master e instituições como o BRB, com intervenções do Banco Central para conter danos ao sistema financeiro.

Na primeira fase, deflagrada em 18 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso junto com outros seis investigados. O ex-CEO Augusto Ferreira Lima também foi detido, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, bem como o diretor financeiro do banco, tiveram afastamentos decretados pela Justiça. A operação coincidiu com a intenção de compra do Master por investidores dos Emirados Árabes.

Na segunda fase, em 14 de janeiro, o STF emitiu 42 mandados de busca e apreensão e bloqueou mais de R$ 5,7 bilhões. Entre os alvos esteve o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que chegou a ser detido. Também foram alvo empresários como Nelson Tanure e João Carlos Mansur. O STF ainda autorizou medidas contra autoridades ligadas ao setor financeiro.

A terceira fase revelou a existência de uma milícia associada a Vorcaro, apelidada de A Turma, chefiada por Luiz Phillipi Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Mourão foi preso e, horas depois, foi encontrado desacordado na cela, vindo a falecer. A quarta fase prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o advogado de Vorcaro, com indícios de propina. A quinta fase ampliou o raio de investigações para o Distrito Federal, Minas Gerais, Piauí e São Paulo, incluindo o senador Ciro Nogueira e o primo de Vorcaro, com mandados de prisão e bloqueios de bens.

Na sexta fase, ocorrida em maio, foram cumpridos mais seis mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. O International também integrou a operação com a detenção do jovem Victor Lima Sedlmaier em Dubai. Entre os investigados, havia ainda o pai de Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, apontado como participante do grupo, e um policial federal ativo envolvido em repassar dados sigilosos. O ministro André Mendonça determinou ainda medidas de monitoramento e a transferência de um preso para presídio federal.

Em relatos posteriores, o portal The Intercept Brasil revelou gravações envolvendo o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, em que o banqueiro Vorcaro teria pedido recursos para financiar o filme Dark Horse. Bolsonaro confirmou o áudio, negando irregularidades e afirmando que o dinheiro foi usado para a produção cinematográfica. O material também gerou pedidos de apuração sobre a origem e o destino dos recursos.

Resumo da operação: seis fases, autoridades de várias regiões do país, uma rede que envolve empresários, políticos e agentes públicos, e um conjunto de ações que já mobilizou autoridades de Central Bank, STF ePF. A apuração segue, com novos desdobramentos esperados para o sistema financeiro e para a recuperação de bens e recursos desviados na cidade e no país.

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