Desmatamento na Bahia registra queda em 2025, mas estado aparece em 3° em ranking nacional

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A Bahia fica em terceiro lugar no ranking de desmatamento em 2025, com 110.616 hectares derrubados. O dado vem do RAD 2025, o relatório anual do MapBiomas, que traça o panorama da perda de vegetação nativa no Brasil e na região.

No conjunto do país, houve queda de 20,6% no desmatamento em 2025: 983.843 hectares derrubados. Entre 2019 e 2025, a área total desmatada chega a cerca de 10,3 milhões de hectares, mantendo a média de 2.698 hectares por dia.

Na prática, isso equivale a quase 2.698 hectares por dia, cerca de 112 por hora. O estudo compara a magnitude à queda diária decorrente de desmatamento repetido, como se 17 parques do Ibirapuera, o maior parque urbano de São Paulo, fossem derrubados todos os dias.

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Foto: Dados divulgados pelo MapBiomas

Entre os biomas, todos registraram queda no desmatamento. O Pantanal desmatou 12.260 hectares, com a maior redução proporcional (-48,4%). A Amazônia somou 289.478 hectares, (-23,5%). O Pampa ficou com 583 hectares, o menor total entre eles. Na Bahia, a Caatinga teve a maior redução regional, -25,9% (128.947 ha em 2025); a Mata Atlântica somou 12.912 hectares, com queda de 4,7%.

O Cerrado, dominante na região, lidera o ranking nacional com 540.614 hectares desmatados, mas mostrou queda de 25,9% em relação a 2024.

O Matopiba, região que inclui Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, concentra grande parte da devastação associada à expansão agropecuária. Em 2025, esse grupo responde por 97% da perda de vegetação nativa ligada ao agronegócio no país; junto com Mato Grosso, figura entre os cinco estados com maior área desmatada, somando mais de 63% do total brasileiro.

As formações de savana aparecem como as áreas mais atingidas (51,4%), seguidas pelas florestas (46,3%). No Brasil, desmatamentos ligados a empreendimentos de energia renovável ficaram majoritariamente na Caatinga, respondendo por 97% da área desmatada associada a esse vetor. A expansão urbana elevou o desmate em 7% ante 2024, concentrando-se no Cerrado e na Amazônia.

No Brasil, 2.932 municípios tiveram ao menos um evento de desmatamento em 2025, representando 52,6% do total. Entre as dez cidades com maior área desmatada, oito estão em Matopiba; dois ficam na Bahia: Jaborandi e São Desidério, ambos na região oeste.

O ranking de alta perda é liderado por Canto do Buriti, no Piauí, com 20.877 hectares desmatados em 2025. O maior evento isolado somou 20.834 hectares, com média diária de 57,2 hectares, o equivalente a cerca de 80 campos de futebol por dia.

Entre as Unidades de Conservação houve 46.257 hectares desmatados, queda de 21,4% frente a 2024. Em áreas de proteção integral foram 2.034 hectares, redução de 55,8%. Já as APAs apresentaram 7.701 hectares na Bahia, alta de 44% em relação ao ano anterior.

Nas Terras Indígenas a perda chegou a 12.593 hectares, com 30% das TI registrando ao menos um evento de desmatamento. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãtnjekra, no Maranhão, lidera com 4.089 hectares, ainda que tenha recuado 34% na área atingida. Entre 2019 e 2025, 1,7% do total desmatado ocorreu em Terras Indígenas.

O RAD 2025 reforça a necessidade de ações rápidas para frear a pressão da expansão agropecuária e proteger áreas de conservação, para evitar danos à biodiversidade e à vida das comunidades locais.

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