Ditadura queimou corpos de camponeses em usinas de açúcar na Paraíba, aponta MPF

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O Ministério Público Federal acionou a União e o governo da Paraíba, buscando reparação por graves violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura. A denúncia aponta que camponeses ligados às Ligas Camponesas foram vítimas de execuções e torturas, com corpos queimados em usinas de açúcar para ocultar evidências, em um capítulo ligado à Justiça de Transição.

A investigação cita casos de líderes como João Alfredo Dias, o Nego Fuba, e Pedro Inácio de Araújo, o Pedro Fazendeiro, que desapareceram entre agosto e setembro de 1964 após serem mantidos sob custódia no 15º Regimento de Infantaria, em João Pessoa. O documento mostra como a repressão visava desmobilizar a organização camponesa na região.

João Alfredo Dias, conhecido como 'Nego Fuba', e Pedro Inácio de Araújo, o 'Pedro Fazendeiro'

João Alfredo Dias, conhecido como ‘Nego Fuba’, e Pedro Inácio de Araújo, o “Pedro Fazendeiro”

O MPF descreve uma estratégia coordenada para inviabilizar a organização camponesa, com desaparecimentos forçados, prisões ilegais e mortes. Segundo o documento, os corpos teriam sido incinerados em usinas de açúcar da região — como as usinas São João e Santa Helena — para apagar vestígios das execuções, com testemunhos que apontam para a repressão estatal e de latifundiários.

Justiça de Transição fundamenta a ação, reafirmando o dever do Estado de reconhecer violações passadas e reparar as vítimas. A repressão contou com uma simbiose operacional entre as Forças Armadas, as polícias militares e milícias privadas financiadas por grandes proprietários de terra, segundo o MPF.

Entre os pedidos, constam: desculpas oficiais à população, indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 1 milhão, abertura e preservação de arquivos históricos da época e a implementação de medidas educativas, além da criação de espaços de memória sobre as Ligas Camponesas. O documento ressalta que o ocultamento dos corpos dificultou o luto das famílias e alimentou décadas de impunidade.

Para o MPF, o esclarecimento completo dos fatos é essencial para romper o ciclo de violência. A ação enfatiza a importância de preservar a memória e de adotar medidas judiciais que previnam novas violações, promovendo transparência e justiça histórica.

E você, o que acha desse capítulo da nossa história e da necessidade de reparação? Compartilhe suas opiniões nos comentários e participe do debate sobre memória, justiça e democracia no Brasil.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Operação Agulha Oculta investiga coordenador legislativo por venda de Mounjaro paraguaio

Operação Agulha Oculta, da Polícia Civil de São Paulo, mira um suposto esquema de importação irregular e venda de tirzepatida — conhecida como...

Lava Jato: executivos são condenados a até 14 anos de prisão por fraude em licitações

A Justiça Federal no Paraná condenou seis executivos e operadores financeiros envolvidos em contratos fraudados com a Petrobras, em uma etapa remanescente da...

Operação Agulha Oculta investiga coordenador legislativo por venda de Monjaro paraguaio

Operação Agulha Oculta investiga a venda de Monjaro paraguaio e resultou na apreensão de 22 ampolas de tirzepatida, além de celulares, seringas, embalagens...