Apesar dos cachês elevados que marcam os festejos juninos na Bahia, há casos de remuneração abaixo do salário mínimo por apresentação. O Painel de Transparência dos Festejos Juninos aponta o cachê mais baixo neste junho: R$ 1.000, pago pela prefeitura de Muquém de São Francisco a Aroldo Chamego do Forró, para show em 11 de junho. O levantamento também traz exemplos fora do mês, revelando um panorama de valores que varia bastante entre os municípios.
Entre os casos notados, Josael Duarte recebeu R$ 800 em Senhor do Bonfim, no dia 9 de maio, e Eraldo do Acordeon fechou contrato de R$ 1.600 em 2 de maio — quase no piso federal de referência, que estimava R$ 1.621, antes de avançar para o patamar de R$ 2.000. Esses números mostram que, mesmo diante de promessas de valorização, há contratos abaixo de referências oficiais em certos períodos e localidades.
Segundo a Bahia Notícia, Muquém de São Francisco é a cidade com o menor cachê para 2026 entre os 113 municípios cujo dados foram enviados ao Ministério Público. Em 2022, a população da cidade era de 10.443 habitantes, com densidade demográfica de 2,71 hab./km². Na comparação entre municípios baianos, Muquém ficou entre as posições 325 e 413 de um total de 417. Em âmbito nacional, apareceu entre 2.938 e 5.234, refletindo menor escala de investimentos entre vizinhos de estado.
Entre as contratações mais caras, o show de Léo Magalhães está previsto para 14 de junho, com cachê de R$ 500.000, valor várias vezes superior ao de Aroldo. Em Jaborandi, onde há 12 atrações contratadas pelo teto de R$ 2.000, o maior contrato foi para a dupla Matheus & Kauan, de R$ 705.000. Já Conceição do Jacuípe destinou grandes somas a artistas de renome — R$ 905.000 para Zez Neto e Cristiano e R$ 784.000 para Maiara e Maraísa — enquanto o cachê mais baixo registrado foi de apenas R$ 150.000 para a banda Donas do Bar.
Um episódio que ganhou notoriedade foi a desistência de Flávio José de se apresentar após um pedido de aumento de cachê ser negado. Em resposta, o MP-BA informou que as quatro últimas edições mostraram uma escalada nos contratos, passando de cerca de R$ 200 mil para aproximadamente R$ 700 mil. O órgão enviou recomendações aos municípios para alinhar as contratações aos parâmetros públicos e técnicos, com base no IPCA, de modo a evitar aumentos excessivos e assegurar justificativa técnica para valores maiores conforme notoriedade e projeção de cada artista.
E você, o que acha dessa variação de cachês para as festas de junho na Bahia? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre como equilibrar talento, tradição e responsabilidade no uso de recursos públicos.
