O dilema de Lula com Jaques Wagner e a sombra do Banco Master

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Em meio a tensões no governo, o presidente precisa decidir se mantém Jaques Wagner como líder do governo no Senado ou o afasta, diante de relatos que apontam uma aproximação de Wagner com o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, ligado ao caso do Banco Master. A pergunta central é se essa relação pode custar votos e abalar a imagem do governo.

Wagner é o principal interlocutor do governo no Senado e candura de longa data entre Lula e o ambiente financeiro, o que aumenta o risco político. A proximidade com Augusto Lima, ligado a Vorcaro, pode fragilizar o apoio da base e ampliar críticas sobre ética e transparência. A equação é simples: ou Lula abdica publicamente da função de Wagner, ou o presidente precisa pressionar pela saída dele do posto para não carregar a reputação do Senado.

Para manter o discurso ético e poupar o governo de desgastes, presidente é pressionado a afastar o líder do Senado, seu amigo de toda vida

19/06/2026 05:30

, atualizado 19/06/2026 07:34

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Antônio Cruz/Agência Brasil
O dilema de Lula com Jaques Wagner e a sombra do Banco Master

O senador Jaques Wagner (PT-BA) não é candidato a presidente. No momento, os candidatos com maiores chances de vencer, segundo todas as pesquisas de intenção de voto, são Lula e Flávio Bolsonaro. Este último está envolvido no caso do Banco Master por ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme de exaltação ao seu pai, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.

Mas Wagner é líder do governo no Senado e amigo de toda uma vida de Lula. A descoberta de que Wagner se beneficiou de sua aproximação com o banqueiro baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, pode prejudicar a imagem do governo ao qual ele serve e, por tabela, custar preciosos votos a Lula. Por isso, ou Wagner abdica da função que exerce, ou Lula o afasta dela. Simples.

Em setembro de 2024, Lula foi rápido no gatilho. No dia 5, a ONG Me Too divulgou que recebera denúncias de assédio sexual contra Silvio Almeida, então ministro dos Direitos Humanos. No dia seguinte, Lula o demitiu. “O presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo dada a natureza das acusações”, informou a Presidência em nota oficial.

Almeida havia assediado sua colega de governo Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial à época e irmã de Marielle Franco, a vereadora do PSOL assassinada por milicianos no centro do Rio de Janeiro em março de 2018. Até hoje, Almeida jura ser inocente. O processo corre em segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal, e Almeida ainda não foi notificado.

Itamar Franco, que governou o país de 29 de dezembro de 1992 a 1º de janeiro de 1995, ensinou que autoridades de qualquer calibre não devem conviver com suspeitos de crime. O “caso Henrique Hargreaves”, chefe da Casa Civil e amigo do peito de Itamar, é tido como um exemplo clássico de ética e austeridade na administração pública. Citado por corrupção em uma CPI do Congresso, Hargreaves foi forçado por Itamar a demitir-se. Meses depois, quando o relatório final da CPI o inocentou, Hargreaves foi reconduzido ao cargo.

Menos sorte teve Eliseu Resende, ministro da Fazenda. Ao saber que ele, antes de assumir o cargo, tivera uma diária de hotel em Nova York paga pela construtora Odebrecht, Itamar o demitiu.

Queira ou não, Lula será obrigado a livrar-se, pelo menos publicamente, da companhia de Wagner. Ontem, os dois se falaram por telefone, e Wagner, em entrevista à BandNews, contou que Lula lhe prestou solidariedade. Contudo, não dá para Lula colar em Flávio Bolsonaro a pecha de “Bolsomaster” e manter “Wagnermaster” como líder do governo no Senado. Simplesmente não dá. Acione a guilhotina, quanto mais rápido melhor. Estamos conversados.

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O desfecho, portanto, depende de decisões estratégicas no Palácio do Planalto: afastar Wagner para não carregar o peso de uma controvérsia com impacto na imagem pública ou manter o aliado próximo e enfrentar o escrutínio de perto. Enquanto isso, a administração tenta equilibrar críticas internas com a necessidade de dialogar com a base, visando evitar novos desgastes.

E você, qual leitura faz dessa nova fase? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe o que pensa sobre o papel de líderes aliados em tempos de tensão ética e política.

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