Pesquisadores descobrem espécies de grilos que pararam de cantar

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Resumo rápido: nova pesquisa com grilos arborícolas mostra que o canto e a audição foram perdidos várias vezes ao longo da evolução, abrindo espaço para formas alternativas de comunicação por vibrações. No lugar do som, muitos animais encontraram caminhos diferentes para conversar e se adaptar ao ambiente.

O estudo analisou mais de cem espécies da família Oecanthidae, conhecidos grilos arborícolas, em um panorama que envolve mais de 1.400 espécies no mundo. Ao comparar geneticamente centenas de casos, os cientistas construíram uma árvore filogenética que funciona como uma máquina do tempo, ajudando a datar as origens e as mudanças ao longo do tempo.

O resultado é surpreendente: o ancestral dos grilos arborícolas cantava e ouvia, mas o silêncio surgiu repetidamente, de maneira independente, em vários ramos diferentes. Ao todo, a capacidade de cantar foi perdida pelo menos onze vezes na história evolutiva desses insetos, e em muitos casos os ouvidos sumiram também. Esse padrão é um excelente exemplo de evolução convergente, com soluções parecidas surgindo em linhagens separadas.

A perda do canto não acontece por acaso: o canto atrai predadores e parasitas, elevando custos de reprodução. Em termos ambientais, a propagação do som varia conforme o habitat. Grilos que vivem em galerias de madeira, sob cascas ou em fendas de rochas enfrentam espaços em que o som se propaga menos, tornando o canto menos vantajoso.

A posição na vegetação também conta. Muitas espécies que já não cantam ocupam plantas baixas ou arbustos — locais onde predadores chegam com mais facilidade — enquanto os cantores bem-sentados costumam habitar o topo das árvores, onde o som se propaga melhor.

Entre as descobertas mais intrigantes estão as exceções: existem cantores surdos que ainda produzem som, e ouvintes silenciosos que mantêm os ouvidos. Uma explicação possível é a defesa contra predadores: a audição ajuda a detectar ameaças como aves e morcegos, mesmo que o grilo não emita canto, ou então o barulho surge como aviso para novas formas de comunicação, como a transmissão de vibrações pelo galho ou pela folha — a chamada biotremologia.

No laboratório, observa-se comportamento semelhante em grilos do gênero Tafalisca, que obtêm comunicação por vibrações ao baterem o corpo na superfície. Assim, o som não some: só muda de meio. A história dos grilos arborícolas mostra que a perda de sentidos não é o fim da conversa, mas o nascimento de novas formas de interação na natureza.

Se você já ouviu grilos à noite, saiba que, para cada espécie que canta, há outras que ficam em silêncio — e o silêncio também tem muito a dizer na evolução das espécies. Comente abaixo: você já reparou nas grilos da sua região e como eles se comunicam?

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