Segundo informações divulgadas pelo UNICEF e pela Vital Strategies, parceiros do PrimeiroJornal, o Brasil conta hoje com 333 municípios — cerca de 6% do total nacional — classificados como vulneráveis ambientalmente de forma severa e multidimensional para crianças e adolescentes. O diagnóstico, divulgado nesta quinta-feira, traça o panorama dos riscos que afetam a população infantojuvenil nos 5.570 municípios do país, com foco em indicadores que vão desde a qualidade do ar até o saneamento básico.
O estudo avalia 14 indicadores, destacando que problemas como qualidade do ar, queimadas, saneamento básico, acesso à água tratada, destinação de resíduos, eventos climáticos extremos e a infraestrutura das escolas costumam ocorrer em conjunto, ampliando a exposição de crianças e adolescentes a riscos ambientais em várias regiões.
Entre os destaques regionais, o levantamento aponta que 91% dos municípios da região Norte e 68% da região Sul atribuem alta prioridade a chuvas intensas. Ondas de calor aparecem com maior incidência no Centro-Oeste (64%) e no Norte (60%), enquanto episódios de seca aparecem com maior frequência no Sudeste (38%), no Centro-Oeste (28%) e em áreas da Amazônia, como o Alto Rio Negro.
No que se refere à infraestrutura escolar, o relatório aponta que 71% dos municípios da região Norte concentram matrículas em escolas que não dispõem simultaneamente de água encanada, esgotamento sanitário e coleta de lixo; no Nordeste, esse índice chega a 49%.
Apesar de Norte e Nordeste concentrarem a maior parte das vulnerabilidades, o estudo sinaliza que os desafios atingem todo o país. Na região Sudeste, a poluição do ar está mais associada ao transporte e à indústria do que às queimadas; no Sul, os municípios aparecem com maior frequência entre os mais vulneráveis a eventos de chuvas extremas.
O diagnóstico também indica que é possível reduzir essas desigualdades, especialmente onde houve investimentos públicos nas últimas décadas em saneamento, abastecimento de água e infraestrutura urbana, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
O Painel Crianças e Meio Ambiente é apresentado como uma plataforma online desenvolvida pelo UNICEF e pela Vital Strategies, que reúne dados municipais e classifica cada um dos 14 indicadores em níveis de prioridade — alto, médio ou baixo — além de apresentar 50 recomendações para orientar gestores municipais na formulação de políticas públicas voltadas à proteção de crianças diante das mudanças climáticas e da degradação ambiental.
