Nicarágua: Ortega afirma que não haverá eleições e regime se fortalece
Organizações de direitos humanos mostram aumento da repressão a igrejas e da concentração de poder
Durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista, em Manágua, o presidente Daniel Ortega declarou que o país não realizará eleições futuras, sinalizando uma consolidação do governo com apoio de Rosario Murillo, hoje copresidenta. A fala é interpretada por analistas como confirmação de que o poder não seria contestado pelo voto.
Analistas destacam que o anúncio formaliza um processo de centralização já em curso desde que Ortega reassumiu a Presidência, em 2007, com reformas constitucionais que ampliaram seus poderes e fortaleceram a participação da seus movimentos políticos. Ao mesmo tempo, o governo intensificou o controle sobre instituições e a atuação das forças de segurança.
Paralelamente, houve agravamento da repressão a comunidades religiosas. Segundo a Christian Solidarity Worldwide (CSW), em 2025 foram presos 55 líderes cristãos e ocorreram 309 violações à liberdade de religião, incluindo vigilância constante, restrições a cultos e intimidações a fiéis e organizações religiosas.
O relatório também aponta o fechamento de centenas de organizações religiosas, o confisco de propriedades, a proibição de procissões e de manifestações religiosas públicas, bem como prisões, interrogatórios e expulsões de sacerdotes e missionários estrangeiros. A repressão atingiu tanto a Igreja Católica quanto comunidades evangélicas.
Nas eleições de 2021, quase todos os principais adversários foram presos, impedidos de disputar ou expulsos, e diversos partidos independentes e veículos de comunicação sofreram encerramento de atividades, conforme o levantamento citado por observadores internacionais.
Tiziano Breda, analista sênior da ACLED, afirmou que Ortega e Murillo demonstram medo de qualquer abertura política que possa estimular dissidência. “Em vez de realizar uma eleição fraudulenta, eles optaram por eliminar completamente a competição eleitoral”, declarou.
Desde os protestos de 2018, autoridades internacionais denunciam graves violações de direitos humanos na Nicarágua — prisões arbitrárias, retirada de cidadania de opositores, censura e ataques à sociedade civil. O consenso entre observadores é de que a declaração de fim das eleições consolida uma ditadura, com impacto direto nas liberdades civis e na liberdade religiosa no país.
Convidamos leitores a compartilhar suas opiniões sobre o tema nos comentários e debater as implicações deste movimento para a democracia e a liberdade religiosa na Nicarágua.
