Big techs acumulam R$ 8,4 trilhões em dívidas com IA fora de seus balanços

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Nikkei aponta uso de dívidas fora do balanço para financiar data centers de IA por Big Techs

Estudo mostra mecanismos em que Alphabet, Microsoft, Amazon, Meta e Oracle transferem compromissos para entidades independentes, ampliando infraestrutura de IA.

Um estudo do Nikkei indica que as maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos acumulam aproximadamente US$ 1,6 trilhão em dívidas fora dos balanços oficiais, utilizadas para financiar a expansão de data centers dedicados à IA. O levantamento aponta ainda que esse montante fora dos registros contábeis cresceu cerca de oito vezes em quatro anos entre Alphabet, Microsoft, Amazon, Meta e Oracle.

O mecanismo descrito envolve a transferência de dívidas relacionadas à compra de chips, servidores e infraestrutura de energia para entidades jurídicas independentes, com frequência estruturadas como joint ventures. Dessa forma, os compromissos financeiros não aparecem diretamente nos balanços das gigantes de tecnologia.

Exemplo de data center
Segundo um estudo do Nikkei, esses compromissos financeiros vêm sendo utilizados para financiar a expansão dos data centers voltados à IA – Imagem: shihabsarkar/Shutterstock

Um exemplo citado é o projeto Hyperion, data center da Meta na Louisiana. Segundo o levantamento, a Meta e a Blue Owl Capital aportaram recursos em uma estrutura independente que assumiu US$ 27 bilhões em dívidas. A Meta sustenta que não precisa registrar esse passivo em seu balanço, pois não é responsável por encontrar novos locatários caso o espaço fique ocioso.

O estudo também aponta a Oracle com US$ 260 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em compromissos futuros de arrendamento que deverão ser incorporados aos seus livros ao longo do tempo. A Nvidia acumula US$ 119 bilhões (R$ 605,6 bilhões) em obrigações de compra, e Alphabet e Microsoft aparecem relacionados a estruturas mantidas fora de seus balanços oficiais.

A escala dessas operações é considerada um dos pontos centrais: apenas a Meta manteria cerca de US$ 420 bilhões (R$ 2,1 trilhões) em dívidas fora do balanço, valor quase três vezes superior à dívida declarada oficialmente. No caso da Oracle, o volume dessas obrigações teria aumentado cerca de 30 vezes nos últimos quatro anos. O estudo afirma que esses investimentos integram a corrida pela expansão da infraestrutura essencial para IA.

A projeção é de que o setor invista mais de US$ 3 trilhões (R$ 15,3 trilhões) até 2028 na construção e aparelhamento de data centers de IA, grande parte financiada com garantias vinculadas aos próprios chips instalados nesses espaços.

No front do mercado, quatro das cinco empresas devem divulgar resultados financeiros nas próximas duas semanas. A leitura dos balanços deverá revelar apenas a dívida oficialmente registrada; os US$ 1,6 trilhão em compromissos fora dos balanços aparecem apenas nas notas explicativas, conforme a análise. O estudo também alerta para o risco de desvalorização futura caso a demanda por IA não atinja as expectativas, impactando credores e seguradoras envolvidos no financiamento.

As agências de risco já monitoram o aumento da alavancagem: a S&P rebaixou a nota de crédito da Oracle, e Morgan Stanley e Moody’s sinalizaram preocupações com o crescimento dessas obrigações. Em contrapartida, as empresas defendem que receitas futuras oriundas da expansão da IA devem cobrir esses investimentos, e que as informações continuam disponíveis nas notas explicativas dos demonstrativos financeiros.

O Olhar Digital informou ter procurado Alphabet, Microsoft, Amazon, Meta e Oracle em busca de respostas e aguarda retorno. Em meio a esse debate, analistas lembram que a divulgação apenas do montante principal pode ocultar a real alavancagem financeira dessas companhias em um cenário de avaliação de risco no setor de IA.

O tema segue atraindo atenção de investidores e reguladores, com o futuro das receitas ligadas à IA moldando percepções sobre o equilíbrio entre crescimento e risco financeiro dessas gigantes do Vale do Silício.

Participe nos comentários com sua opinião sobre esse modelo de financiamento e seus impactos para o mercado de tecnologia.

Crédito: “shihabsarkar/Shutterstock”



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