Governo do Rio exonera comissionados em autarquia investigada

Escrito por: Diógenes Cunha

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O governo do estado do Rio de Janeiro exonerou nesta quarta-feira (22) 30 ocupantes de cargos comissionados, nomeou dois substitutos para vagas deixadas por ex-diretores presos e substituiu dois diretores do Instituto Rio Metrópole (IRM). A medida ocorre após operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrada no dia 9, que investiga desvios de recursos públicos superiores a R$ 80 milhões.

Ao todo, o MPRJ denunciou 11 pessoas à Justiça por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações, contratos e lavagem de dinheiro, em um esquema de desvio de recursos entre julho de 2022 e maio de 2026, por meio de contratos milionários firmados pelo IRM.

Entre os denunciados estão o ex-presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”, e o Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e membro da Comissão Técnica de Licitação. Ele é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ).

Outro denunciado e detido é o Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil.

Segundo o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro (MPRJ), Antonio José Campos Moreira, há no estado um ambiente institucional voltado à corrupção. “Isso talvez explique a situação de dificuldade financeira pela qual o nosso estado passa há décadas. Inúmeras estruturas do Estado foram cooptadas por delinquentes, transformando essas estruturas em antros de corrupção”, disse Moreira, acrescentando que a investigação envolve contratos no valor de R$ 80 milhões. “Outros casos, de gravidade também estão sendo objeto de investigação”, completou.

Moreira afirmou ainda que o atual momento de integração institucional facilita a atuação para combater irregularidades, mantendo a independência entre as instituições na investigação de crimes e atos de improbidade. “Há hoje, no estado, um ambiente singular, com a chefia do Poder Executivo transitoriamente exercida pelo presidente do Tribunal de Justiça, magistrado de carreira”, disse.

Além disso, o Ministério Público recomendou a suspensão do pagamento de contratos em andamento até a conclusão de uma auditoria interna, com prazo de 30 dias, organizada por um grupo de trabalho com representantes do IRM e da Controladoria-Geral do Estado (CGE). O objetivo é analisar os contratos e apresentar as conclusões.

O IRM tem funções ligadas a projetos nas áreas de mobilidade, saneamento, meio ambiente, tecnologia e habitação. As mudanças ocorrem desde que o secretário de Estado de Governo e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Roberto Lisandro Leão, assumiram a presidência interina do IRM.

O PrimeiroJornal acompanha o desenrolar deste caso e convida o leitor a participar da discussão nos comentários sobre o tema.

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