O consumo de informação no Brasil está em transformação. Um levantamento divulgado recentemente mostra que o Nordeste se destaca na adoção de redes sociais como principal canal de informação e na disseminação de conteúdos políticos. A pesquisa Caminhos da Informação no Brasil: principais hábitos informacionais dos brasileiros por região, realizada pelo laboratório Aláfia Lab, aponta que 47,2% dos nordestinos utilizam as redes sociais para se informar sobre política, o maior percentual entre as regiões. Além disso, o Nordeste lidera o uso dessas plataformas como fonte geral de informação, com 57,8% da população recorrendo a elas.
Dados nacionais e foco regional O levantamento revela diferenças regionais: no Sudeste, a televisão continua sendo a principal fonte de informação política (48,4%), à frente das redes sociais (42,3%).
Instagram domina entre os nordestinos Em estudo com 1.512 entrevistados em todo o país, o instituto IDEIA aponta que o Instagram é a principal plataforma de informação para 52,4% dos nordestinos; o Facebook caiu para apenas 5,2%, o menor índice do país.
Impacto no debate público Para Ellen Guerra, pesquisadora do Aláfia Lab, essa combinação de política, entretenimento e opinião altera a dinâmica do debate público no Nordeste. “No Nordeste, esse cenário é ainda mais forte”, afirma, destacando os elevados índices de consumo de política pelas redes sociais. “Por um lado, essa dinâmica amplia a diversidade de atores e facilita o acesso à informação. Por outro, a convivência entre diferentes tipos de conteúdo reduz a hierarquia entre eles.”
WhatsApp e desinformação O estudo aponta que o Nordeste lidera o recebimento de notícias pelo WhatsApp enviadas por amigos (74,8%) e por conhecidos (57%). A região também registra o maior uso do Kwai entre plataformas de vídeos curtos, com 27,9%.
Desafios para a comunicação pública A pesquisadora ressalta que a circulação de informações por meio de pessoas próximas tem efeitos positivos e negativos. “Receber uma notícia de um amigo gera credibilidade, e essa confiança pode ser transferida para a informação que ela compartilha”, explica. Contudo, o desafio é quando a confiança na pessoa supera a verificação da fonte, aumentando o risco de desinformação. Plataformas como WhatsApp e Kwai exigem maior cuidado na checagem, enquanto governos precisam ocupar os espaços de debate público e adaptar a linguagem às características de cada rede, com vídeos curtos e conteúdos acessíveis.
Comunicação pública A migração do público do Facebook para plataformas como Instagram e TikTok amplia os desafios da comunicação pública. No TikTok, o Nordeste lidera o país na busca por perfis de veículos de comunicação (42%) e no acompanhamento de políticos (35,8%). A pesquisadora defende que governos, especialmente prefeituras, precisam adaptar formatos e linguagem para as especificidades de cada rede, investindo em conteúdos claros e verificáveis, além de responder com agilidade a informações falsas que possam comprometer o acesso da população a direitos e serviços públicos.
Conforme Ellen Guerra, compreender quais redes são mais utilizadas, como no crescimento do Instagram e TikTok, ajuda a direcionar a comunicação governamental. “Governos também precisam investir em estratégias para combater a desinformação e fortalecer a confiança”, conclui.
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