PF liga expansão da fraude no INSS ao período da pandemia

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Mirelle Pinheiro

Segundo a investigação, entre 2019 e 2025 a entidade recebeu R$ 708 milhões provenientes dos descontos em aposentadorias

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
CGU Previdência Social - INSS

Entre 2019 e 2025, a Conafer recebeu cerca de R$ 708 milhões provenientes dos descontos em aposentadorias e pensões, conforme aponta a Polícia Federal na conclusão da Operação Sem Desconto. A PF descreve um crescimento progressivo da arrecadação ligada a benefícios previdenciários, com desdobramentos que envolvem repasses, liberações de valores e ações judiciais.

Segundo a investigação, entre 2019 e 2025 a entidade recebeu R$ 708 milhões provenientes dos descontos realizados em aposentadorias e pensões.

Os dados apontam que, em agosto de 2019, a Conafer recebia aproximadamente R$ 14 mil por mês do INSS. Ao longo dos anos seguintes, esse montante cresceu de forma constante, chegando a ultrapassar R$ 24 milhões em um único mês em 2024.

Parte do aumento ocorreu após a liberação de R$ 15,3 milhões retidos por questionamentos sobre autorizações para descontos associativos. A liberação ocorreu em julho de 2021, quando José Carlos Oliveira ocupava a Diretoria de Benefícios do INSS, segundo a PF, e ocorreu sem a documentação exigida pelo acordo de cooperação técnica com o instituto.

Mesmo após esse episódio, a arrecadação da Conafer continuou crescendo, aponta a PF. Os números oficiais mostram saltos relevantes: 2020: R$ 77,5 milhões, 2022: R$ 202,3 milhões, 2024: R$ 297,9 milhões.

Outro ponto da investigação é o aumento dos bloqueios judiciais sobre os valores da Conafer. Os montantes bloqueados passaram de R$ 380 mil em 2021 para R$ 2,28 milhões em 2022 e chegaram a R$ 4,12 milhões em 2024, conforme o relatório.

A PF sustenta que o crescimento dos bloqueios acompanhou o aumento das queixas de aposentados nos canais oficiais do INSS, bem como ações judiciais e manifestações em plataformas de atendimento ao consumidor.

As investigações também identificaram mensagens e planilhas utilizadas por membros da entidade, com dados sobre representantes municipais, autoridades locais e contatos políticos, indicando uma estrutura organizada para ampliar a atuação da Conafer em diversos municípios brasileiros.

O relatório final integra a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos associativos considerados irregulares em benefícios previdenciários, resultando no indiciamento de dezenas de investigados por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

A apuração reforça a necessidade de acompanhamento contínuo de mecanismos de desconto em benefícios e a importância de protocolos rigorosos entre órgãos públicos para evitar irregularidades que atingem aposentados e o erário.

Como leitor, queremos ouvir sua opinião sobre o tema. Você acredita que há falhas sistêmicas que precisam de fiscalização mais rígida? Deixe seu comentário e compartilhe seu ponto de vista.

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