As primeiras gerações de estrelas e galáxias ganharam novas pistas com observações do telescópio espacial James Webb (JWST) ao estudar a galáxia anã Sextans A. Pesquisadores utilizaram os instrumentos NIRCam e MIRI para mapear estrelas na fase do ramo assintótico das gigantes vermelhas e investigar como o Universo inicial acumulou poeira rica em elementos pesados. A Sextans A apresenta uma composição química que lembra as condições do cosmos jovem, com abundância de metais entre 1% e 7% da encontrada no Sol, tornando-a um laboratório natural para entender esse período. A pesquisa foi publicada no periódico The Astrophysical Journal.

Para contornar as limitações da observação de galáxias extremamente distantes, a equipe concentrou-se na Sextans A porque, quimicamente, ela se aproxima do que existia nos primórdios do Universo. Segundo o grupo de pesquisa, esse ambiente oferece condições ideais para entender fenômenos que ocorreram quando as primeiras estrelas começaram a modificar a composição do espaço entre elas.
“Estudar as galáxias que povoaram o Universo primitivo ainda é muito difícil, por isso observar uma galáxia próxima como Sextans A, que apresenta condições químicas semelhantes, oferece uma oportunidade preciosa para entender como as primeiras gerações de estrelas evoluíram e qual foi seu papel na transformação do meio interestelar”, explicou Claudio Gavetti, líder da pesquisa no INAF.
A análise revelou que, entre as estrelas analisadas, cerca de 90% não apresentavam poeira, enquanto aproximadamente 20 apresentavam camadas espessas desse material. Essas estrelas, formadas entre aproximadamente 2 e 3 bilhões de anos atrás com massa inicial próxima a 1,5 vezes a do Sol, destacaram-se como importantes produtoras de poeira cósmica, contribuindo para o enriquecimento do meio interestelar que, por sua vez, favorece o nascimento de novas estrelas.
De acordo com os autores, esse nível de detalhamento só foi possível graças às capacidades do JWST, que permite observar com um grau de detalhe sem precedentes ambientes anteriormente inacessíveis. “O JWST permite observar com um nível de detalhe sem precedentes os ambientes que, até poucos anos atrás, estavam fora do nosso alcance. O valor desses dados não está apenas nas imagens, mas também na possibilidade de compará-los com modelos teóricos para verificar quão bem descrevem a evolução das estrelas”, afirmou Flavia Dell’Agli, pesquisadora do INAF.
