Nova pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Southampton concluiu que não há evidências de que a expansão do Universo esteja perdendo velocidade. O estudo, publicado em julho de 2026 na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, sustenta que as correções adotadas há anos pelos pesquisadores já compensam o efeito indicado por um trabalho anterior, mantendo a aceleração cósmica como a explicação mais compatível com as observações disponíveis.
As supernovas do tipo Ia, usadas como referência para medir distâncias entre galáxias e inferir o ritmo de expansão, surgem de sistemas binários envolvendo uma estrela comum e uma anã branca. À medida que essa estrela acumula massa da companheira, a explosão de brilho extremo é utilizada como uma norma de luminosidade para calibrar distâncias no cosmos.
Em novembro de 2025, um grupo de pesquisadores sul-coreanos argumentou que a idade da anã branca influenciaria o brilho dessas explosões de forma suficiente para comprometer esse método. Caso essa hipótese estivesse correta, a interpretação dos dados sugeriria uma desaceleração da expansão do Universo.
O estudo mais recente rejeita essa conclusão ao afirmar que essa influência já é levada em conta por meio de uma correção relacionada às características da galáxia hospedeira da supernova. Segundo os autores, esse ajuste acompanha, de forma indireta, a idade das estrelas envolvidas e reduz justamente o efeito apontado pelo trabalho anterior.
Ao comentar os resultados ao IFLScience, o pesquisador Brodie Popovic, da Universidade de Southampton, afirmou que a inclusão dessa correção praticamente elimina o argumento apresentado pelo estudo sul-coreano. “Apenas incorporando essa correção de massa, que utilizamos há cerca de 15 anos, conseguimos explicar praticamente toda a argumentação deles. Estou bastante confiante em nossos resultados”, disse.
O físico Adam Riess, vencedor do Prêmio Nobel, também ressaltou cautela ao avaliar conclusões que desafiam o entendimento atual da cosmologia. “Afirmações extraordinárias exigem testes especialmente cuidadosos. Quando calibramos essas supernovas levando em conta diferentes ambientes e populações estelares, as evidências da aceleração cósmica permanecem notavelmente consistentes.”
Segundo o artigo, pesquisas anteriores lideradas por Riess já haviam mostrado que diferentes métodos para medir a expansão do Universo podem ser combinados, reduzindo o impacto de limitações presentes em uma técnica isolada.

Crédito: NASA Goddard Space Flight Center e M. Michailidis et al. 2026; óptico: DSS; infravermelho: NASA/WISE/JPL-Caltech/UCLA; ultravioleta: NASA/Swift

Crédito: NASA/CXC/SAO (Raios X); NASA/STScI (Infravermelho); NASA/CXC/SAO/J. Major (Processamento de imagem)
