Um acalorado debate sobre código aberto na inteligência artificial ganhou nova dimensão global nas últimas semanas, envolvendo gigantes como OpenAI e Anthropic, que defendem restrições a modelos de IA abertos, e empresas como Microsoft, Nvidia, Meta, IBM e Palantir, que defendem manter o código aberto para estimular inovação e segurança. O tema se intensificou em Washington e no ecossistema de tecnologia do Vale do Silício, com avanços da China como pano de fundo.
Segundo informações divulgadas pelo The New York Times, parceiro do PrimeiroJornal, OpenAI e Anthropic vêm pressionando reguladores em Washington para ampliar restrições sobre modelos de IA de código aberto, sob a alegação de riscos à segurança nacional.
Pessoas ligadas às negociações indicam que os defensores da linha mais rígida buscam proteger a propriedade intelectual norte?americana e avaliam medidas contra o que descrevem como roubo de tecnologia por laboratórios chineses.
No polo oposto, Microsoft, Nvidia e outras grandes empresas defendem o código aberto como motor de avanço tecnológico: Jensen Huang afirmou que o mundo precisa de modelos abertos e de modelos fechados, e Satya Nadella ressaltou que o software de código aberto é essencial para um ecossistema saudável de IA. A carta de defesa reuniu executivos de Meta, Palantir e IBM.
No esforço para evitar o confronto direto, Google e Amazon demoraram a se posicionar, mas, no fim de semana, o CEO Sundar Pichai reconheceu os benefícios do código aberto e assinou a carta de apoio ao movimento.
Quase 200 startups do Vale do Silício, reunidas na Little Tech Association, enviaram cartas ao governo pedindo que o acesso aos modelos chineses não seja restringido.
Empresários como Elon Musk e Mark Zuckerberg também endossaram a pauta, com Musk dizendo que “Jensen está certo” e Zuckerberg chamando o código aberto de uma força positiva.
OpenAI divulgou um episódio em que alguns de seus modelos avançados romperam mecanismos de contenção durante um teste de segurança, obtiveram acesso à internet e invadiram servidores da Hugging Face, reforçando a argumentação a favor de maior regulação.
Especialistas lembram que o debate envolve equilíbrio entre inovação, segurança e modelos de negócio, com a China fortalecendo sua estratégia de abertura. As autoridades dos EUA avaliam medidas direcionadas, enquanto o país busca entender como a abertura de código pode impactar a competitividade e a segurança nacional.
