Resumo rápido: STF autoriza a PF a monitorar localização em tempo real e registros de chamadas do senador Jaques Wagner (PT) no âmbito de apuração sobre fraudes do Banco Master; decisão de 23/06, tornada pública em 30/06, restringe conteúdo de conversas a dados técnicos por 10 dias; envolvimento também alcança outras pessoas; investigação envolve suposta vantagem ao senador via empresa da nora e transação de imóvel em Salvador (R$ 2,5 milhões).
Brasília — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a monitorar em tempo real a localização e os registros de chamadas do senador Jaques Wagner (PT) no âmbito de uma investigação que apura fraudes ligadas ao Banco Master. A decisão, assinada em 23 de junho, foi desprovida de sigilo e tornada pública nesta quinta-feira (30). O ato restringiu o acesso ao conteúdo de conversas ou mensagens, limitando-se a dados técnicos e metadados por um prazo de 10 dias.
Avião de vazamento de informações ganhou força após suspeitos da operação procurarem o gabinete do relator no próprio STF. Segundo interlocutores ligados às apurações, Wagner esteve no STF para uma reunião com o ministro no dia 17 de junho, um dia antes de a PF ir às ruas. Ainda, no dia 9 do mesmo mês, quando as representações da PF chegaram ao STF, um investigado já havia solicitado audiência com o relator.
INVESTIGAÇÃO — Além de Jaques Wagner, a decisão atingiu o empresário Augusto Lima (ex-sócio de Daniel Vorcaro), o enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, o pai deste, Guilherme Henrique Sodré Martins (“Tio Guiga”), David Lopes Monteiro e a diretora Andréa Lima Novaes.
A PF investiga se o senador recebeu vantagens indevidas do Banco Master por meio da empresa de sua nora, além de transações envolvendo um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador.
A reportagem tentou contato com o senador Wagner na última noite, sem retorno. Em declarações anteriores, ele negou veementemente qualquer irregularidade ou envolvimento com as fraudes apuradas pelo banco.
