Resumo: PF investiga depoimento de ex-condenado sobre repasses a Carlos Brandão.
Relato afirma entrega de valores ao Palácio dos Leões e a Daniel Brandão.
Defesa de Brandão contesta competência do STF e classifica acusações como inconsistentes.
Investigações apontam disputa do Fundeb como motivação do conflito que levou à morte do empresário João Bosco.
Maranhão — A Polícia Federal investiga o depoimento de Gilson César Soares Cutrim Júnior, condenado pelo assassinato do empresário João Bosco, segundo o qual ele buscava dinheiro com o agiota Pacovan para entregá-lo ao governador do Maranhão, Carlos Brandão.
Conforme o relato, os valores teriam sido levados para o Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, e entregues a Daniel Brandão, sobrinho do governador e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), que estaria afastado por decisão do ministro Flávio Dino, do STF.
Em depoimento prestado à PF em 19 de fevereiro, Gilson afirmou que levou dinheiro ao palácio e que o entregou a Daniel Brandão. Segundo ele, os valores teriam sido destinados a Carlos Brandão.
“Eu tô falando o fato do Pacovan, que eu pegava dinheiro deles, dele para levar pro Carlos, inclusive levei valores para dentro do palácio, entendeu? Entreguei para pro Daniel e aí eles e como houve esse atrito, ele estava tipo com medo de eu falar alguma coisa em plena campanha que pudesse atrapalhar a reeleição do Carlos e qualquer coisa”, afirmou Gilson à PF.
De acordo com Gilson, havia ainda divergências envolvendo a divisão de recursos do Fundeb — Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação —, que alimentavam o conflito entre as partes.
A PF aponta que o impasse, associado a dívidas que viriam de fontes do Fundeb, motivou o desacerto e seria a génese do atrito que culminou na morte de Bosco. Segundo a versão de Gilson, Daniel teria marcado uma reunião em um edifício para “resolver isso” e, no decorrer do encontro, ele teria se sentido alvo de uma emboscada para ser assassinado. Conforme sua narrativa, ele acabou atirando em Bosco, que morreu.
Em nota, a defesa de Carlos Brandão classificou as imputações como inconsistentes e questionou a competência do STF para conduzir as investigações. Os advogados sustentam que eventuais apurações contra o governador deveriam tramitar no STJ e alegam que as medidas avançaram sem o aval da PGR.
Sobrinho: O nome do sobrinho do governador aparece nas apurações.
Resumo: PF acompanha a morte de Bosco Pacovan, ocorrida em 14 de junho de 2024, dentro de um posto de combustível de sua propriedade, em Zé Doca (Maranhão). Os principais suspeitos seriam sócios de um agiota. A coluna aponta que Daniel esteve presente em uma reunião anterior ao crime, mas seu nome pode ter ficado de fora do inquérito da Polícia Civil, que concluiu o episódio como uma briga privada. Em nota, a defesa do governador do Maranhão contesta a condução das investigações, apontando suposta usurpação de competências constitucionais pela linha de apuração.
Zé Doca, Maranhão – A morte do empresário Bosco Pacovan, em 14 de junho de 2024, foi alvo de apuração cujo município de ocorrido é Zé Doca, a 302 km de São Luís. Segundo apuração da coluna, os elos do crime seriam sócios de um agiota, com a investigação civil tratando o caso como briga privada.
Daniel teria participado de uma reunião que antecedeu o homicídio; no entanto, o seu nome não integrou o inquérito da Polícia Civil do Maranhão, que concluiu o episódio como briga interna entre partes envolvidas no caso.
Nota: Em nota divulgada pela defesa, o Governador do Maranhão é retratado com críticas às decisões citadas pela coluna, atribuídas ao ministro Flávio Dino, que teriam buscado vincular o Governador a supostas práticas criminosas. A defesa afirma que investigações sigilosas teriam sido iniciadas sem o referendo do Ministério Público, e cita pontos constitucionais que reservam ao Ministério Público as funções de persecução penal, além de apontar a ausência de referendo da Procuradoria-Geral da República para as investigações. A defesa sustenta que a atuação do STF para esse tipo de comunicação de crime seria inadequada, e ressalta a importância do juiz natural e do devido processo legal.
