Como vestígios guardados há 22 anos ajudam na elucidação de crimes no DF

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Um vasto acervo de vestígios coletados pela DGCV, da Polícia Civil do DF, garante que provas guardadas há décadas possam ser reanalisadas, preservando DNA, armas, roupas, fios de cabelo, tecidos e dispositivos eletrônicos para futuras investigações.

O acervo, desde 2004, soma cerca de 380 mil vestígios e sustenta casos emblemáticos da história recente do Distrito Federal, como o triplo homicídio da 113 Sul e a chacina entre 2022 e 2023 que deixou 10 mortos no DF e no Entorno. Evidências não se limitam a sangue e armas: itens eletrônicos também são pilares para reconstruir crimes.

Cadeia de custódia: cada vestígio chega na DGCV já lacrado, em embalagens adequadas, e só pode ser manuseado por servidores com luvas para evitar contaminação. Ao chegar, é registrado no sistema Lins, conferindo lacre, identificação e documentação, antes de ficar oficialmente incorporado ao acervo.

Triagem: o material passa por uma separação técnica por tipo e necessidade de preservação. Vestígios biológicos e toxicológicos seguem fluxos distintos, com cuidados de armazenamento específicos. Em alguns casos, substâncias tóxicas têm validade de até um ano para análises, podendo ser descartadas conforme normas vigentes. O diretor da DGCV, Joã o Pitaluga, resume o rigor do processo: “Não pode errar. O erro pode acontecer, mas não pode seguir adiante. Tudo é checado e rechecado.”

O diretor reforça a rastreabilidade completa: “cada vestígio tem uma trajetória documentada, desde a origem até a movimentação, lacres, exames e a situação atual, o que permite demonstrar que o material hoje preservado é exatamente o coletado na investigação.”

Após a triagem, o material é encaminhado ao armazenamento definitivo, com câmaras frias a aproximadamente -20°C para itens biológicos e câmaras secas para substâncias não biológicas, como armas ou vestígios que não exigem refrigeração extrema. O acesso é restrito a poucos servidores, em ambiente de segurança rigorosa.

A câmara fria é mantida a -20°C, condição essencial para preservar a integridade de materiais sensíveis e viabilizar reanálises futuras. Já a câmara seca abriga itens que não necessitam de refrigeração, mas exigem controle ambiental e segurança para manter sua integridade e poder probatório.

Entre os casos que ilustram a importância dessa preservação está o crime da 113 Sul, cuja impressão digital guardada por anos foi central na linha de investigação. Em 2023, o STJ anulou a condenação de Adriana Villela por questões de acesso a elementos relevantes, evidenciando que vestígios podem ser revisitados ao longo das fases processuais.

E não são apenas itens biológicos: celulares e dispositivos eletrônicos também entram no catálogo. Na chacina entre DF e Goiás (2022-2023), os aparelhos das vítimas foram peças-chave para reconstruir a sequência dos ataques e confirmar envolvimentos, mostrando que vestígios digitais podem ser decisivos para esclarecer crimes e responsabilizar culpados.

A preservação cuidadosa, com guarda técnica e ambientes controlados, assegura que provas continuem válidas e úteis por décadas, fortalecendo a atuação da polícia na elucidação de crimes e na aplicação da justiça.

E você, o que pensa sobre a importância de manter esse acervo de vestígios por muitos anos para apoiar investigações futuras? compartilhe sua opinião nos comentários.

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