A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira a Operação Gemini para apurar um possível esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro, com indícios de ramificações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A ação envolveu mandados de busca e apreensão, além de quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático. Entre os alvos estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL).
Segundo as investigações, existe uma estrutura dedicada à negociação de decisões judiciais e à ocultação de recursos obtidos de forma ilícita. Os investigados podem responder, conforme o avanço das apurações, por crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
O afastamento de Dirceu dos Santos já havia sido determinado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) há meses, em meio a outra apuração sobre nepotismo cruzado e possível recebimento de vantagens em troca de decisões judiciais. A nova operação amplia o cenário de investigações envolvendo o magistrado e seus desdobramentos.
Um levantamento do CNJ aponta que o desembargador movimentou cerca de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, valores incompatíveis com os rendimentos oficialmente declarados. Nesta terça-feira (9), o CNJ analisará a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para decidir se o afastamento cautelar será mantido.
A Gemini surge dias após o avanço de outra investigação em curso no STF sobre a venda de decisões em tribunais superiores, com indícios de vazamento de informações sigilosas e acesso antecipado a minutas de decisões. A Polícia Federal informou que a operação busca aprofundar as apurações sobre a possível comercialização de decisões judiciais e o fluxo financeiro envolvido.
Acompanhe os desdobramentos e traga sua opinião: casos como esse afetam a confiança no Judiciário e a luta contra a corrupção? Comente abaixo o que você pensa sobre o tema e quais perguntas gostaria de ver respondidas nos próximos desdobramentos.
