Brasil e Coreia do Sul assinaram, nesta segunda-feira, comunicados conjuntos para ampliar a cooperação bilateral na área de minerais críticos e estratégicos, conforme comunicado divulgado por ambos os governos. O acordo, assinado por representantes dos dois países, marca uma intensificação da parceria em setores de mineração, com diretrizes para desenvolver cadeias produtivas mais resilientes, diversificadas e sustentáveis de insumos considerados essenciais para a transição energética, transformação digital e avanço tecnológico.
Entre os objetivos do entendimento está estimular o processamento e o refino próximos às áreas de extração, ampliando a cadeia de valor dentro do território brasileiro. A proposta visa reduzir a exportação de matérias-primas sem beneficiamento e incentivar investimentos em etapas industriais de maior valor agregado.
Cooperação inclui inovação e transferência de tecnologia
- Os comunicados preveem o fortalecimento da cooperação em pesquisa, desenvolvimento, inovação e transferência de tecnologia entre Brasil e Coreia do Sul;
- Além disso, pretendem criar mecanismos permanentes de intercâmbio técnico entre governos e ampliar as capacidades institucionais voltadas ao desenvolvimento do setor mineral;
- Durante a reunião, Brasil e Coreia do Sul reafirmaram a importância de preservar a soberania nacional e a autonomia na formulação de políticas públicas relacionadas à exploração e ao aproveitamento dos recursos minerais.
A aproximação entre Brasil e Coreia do Sul na área de energia e mineração vem se intensificando desde fevereiro deste ano, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a Coreia do Sul. Na ocasião, os dois governos lançaram o Plano de Ação para Implementação da Parceria Estratégica Brasil-Coreia 2026–2029, incluindo os minerais críticos entre as prioridades da cooperação bilateral.
Segundo o governo brasileiro, a estratégia é acompanhar o potencial mineral do país com o fortalecimento do processamento, da transformação industrial e da inovação tecnológica. A expectativa é atrair investimentos estrangeiros, fortalecer a cadeia produtiva nacional e ampliar a participação do Brasil em segmentos de maior valor agregado da indústria mineral.
O fortalecimento da parceria ocorre em meio a uma expansão das relações comerciais entre os dois países. Em 2025, o fluxo de comércio atingiu US$ 10,8 bilhões (R$ 55,4 bilhões), com US$ 5,5 bilhões em exportações brasileiras e US$ 5,3 bilhões em importações, resultando em um superávit de US$ 168 milhões para o Brasil.

Crédito: Ricardo Stuckert
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Minerais críticos são estratégicos para a transição energética
Além de mineração, os dois países pretendem ampliar a cooperação em outras áreas relacionadas à transição energética. Entre os setores contemplados estão o desenvolvimento de hidrogênio de baixa emissão de carbono, bioenergia, fontes renováveis, eficiência energética, infraestrutura inteligente, armazenamento em baterias e tecnologias de captura de carbono.
No segmento de minerais críticos, a parceria abrange matérias-primas estratégicas, como lítio, terras raras, níquel e grafita. Esses minerais são considerados fundamentais para a fabricação de baterias, veículos elétricos e outras tecnologias de baixo carbono.
A expectativa é que a demanda por esses insumos cresça significativamente nos próximos anos, impulsionada pela expansão da transição energética em diferentes países.
