Tribunal da Rússia prende pastor por declaração sobre a guerra na Ucrânia

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Na última quarta-feira, 3 de setembro, um tribunal russo condenou o pastor Nikolay Romanyuk a quatro anos de prisão. A sentença veio após ele expressar sua oposição à invasão da Ucrânia durante um sermão realizado em sua igreja em 2022.

O juiz Yevgeny Parshin, do Tribunal da Cidade de Balashikha, acolheu o pedido do Ministério Público contra Romanyuk, que afirmara em sua pregação que a guerra “não era nossa”. Além da prisão, ele recebeu uma proibição de administrar mídias eletrônicas por três anos.

O pastor, de 63 anos, é aguardado para cumprir pena em um campo de trabalho. Sua detenção se deu após acusações de que ele sugeriu a seus fiéis que obstruíssem os processos de alistamento militar durante um sermão transmitido ao vivo, logo após o governo anunciar uma mobilização parcial relacionada à guerra.

A prisão, marcada por violência, ocorreu em outubro de 2024 quando policiais armados invadiram sua casa e agrediram seus familiares. Romanyuk, que apresenta problemas de saúde, incluindo hipertensão e sequelas de um micro-AVC, não recebeu resposta da justiça quanto à severidade da sua pena.

Em seu sermão, Romanyuk ficou claro sobre sua visão pacifista, afirmando que a doutrina da igreja proíbe a bênção de qualquer pessoa que participe da guerra. “Não abençoamos aqueles que vão para lá para o combate”, destacou, mencionando a necessidade de ações humanitárias em vez de coletar soldados.

Romanyuk argumentou que sua fala se baseava nos princípios bíblicos, exprimindo sua contrariedade à violência. Ele acrescentou que não havia incitado seus paroquianos à desobediência civil e ressaltou que nenhuma desobediência ocorreu entre seus fiéis.

A condenação de Romanyuk marca um precedente sob o Artigo 280.4 do Código Penal russo, que criminaliza apelos contra a segurança do Estado. Ele é o primeiro a sofrer tal pena por críticas à guerra em um contexto religioso, de acordo com o Fórum 18, que monitora os direitos humanos na Rússia.

A filha de Romanyuk, Svetlana Zhukova, descreveu o caso como “injusto e motivado por ódio pessoal”. Ela enfatizou que seu pai não cometeu crimes, desafiando as acusações e destacando a visão do pastor sobre a importância de expressar opinião, mesmo sob risco. “Meu pai foi condenado por sua opinião, que é a verdade”, disse ela.

Romanyuk se mantém preso há mais de 10 meses, e enquanto o processo judicial continua, muitos questionam a injustiça do sistema legal russo. O advogado de defesa considera o julgamento desproporcional e cruel, afirmando que a liberdade de expressão religiosa é vista como uma ameaça ao Estado.

Com a situação do pastor em foco, a memória de sua missão pacifista reverbera entre seus fiéis, que continuam a apoiar a ajuda humanitária e a defesa de suas crenças na cidade. Os olhos do mundo permanecem voltados para a Rússia, enquanto a luta pela liberdade de expressão se torna uma questão central no debate público.

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