Além do leito: por que pacientes com alta ficam até 9 meses internados

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Distrito Federal

Internação social manteve 217 pacientes em hospitais do DF após a alta médica nos últimos 5 anos; permanência média chegou a 9 meses

Arte sobre internação social no DF - Metrópoles
Arte/ Metrópoles — Crédito: Luís Nova/Metrópoles

Entre 2021 e 2025, 217 pessoas permaneceram internadas em leitos de unidades de saúde mesmo após receberem alta médica, segundo dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). O tempo médio de permanência variou ao longo dos anos, chegando a 270 dias em 2024 (aproximadamente nove meses). A maior parte dos casos envolve idosos dependentes, seguidos por pessoas com deficiência ou sem família, moradia ou rede de apoio para retornar a casa.

A internação social é o termo usado para descrever situações em que o paciente não necessita mais de cuidados clínicos, mas não tem condições de deixar a unidade de saúde. O leito permanece ocupado por vulnerabilidade social, dificultando o retorno do paciente para casa.

Dados da SES-DF mostram que o tempo de permanência aumentou nos últimos anos. Em 2021, a permanência média após alta clínica era de 90 dias; em 2024, esse período chegou a 270 dias. Os números consideram pacientes que já estavam em situação de internação social naquele ano ou cujo acompanhamento começou anteriormente.

Busca por familiares é realizada quando a equipe identifica ausência de condições para a saída imediata. Segundo Erci Ribeiro, assistente social com atuação no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), há duas formas de alta: médica e social — esta última baseada em aspectos psicossociais, como presença de suporte familiar e condições de cuidado em domicílio.

A alta social avalia se há condições de continuar tratamento e manter a qualidade de vida fora do hospital, especialmente para idosos, pessoas com deficiência, acamados ou crianças. Quando não há correspondência entre vulnerabilidade e suporte disponível, um parecer social pode justificar a permanência hospitalar temporária até que a família se organize para receber o paciente.

Impacto aos pacientes

Apesar de a rede hospitalar garantir assistência, a permanência prolongada pode trazer impactos sociais e emocionais. O reconhecimento de vínculos com a equipe é importante, mas não substitui a necessidade de rede de apoio estável para a retomada de vínculos familiares e comunitários.

Fluxo para reduzir internações sociais no DF

Para reduzir a permanência motivada por questões sociais, a SES-DF implementou o Guia Intersetorial para Integração dos Services de Saúde e Proteção Social às Pessoas em Situação de Rua. A iniciativa cria fluxos entre a SES-DF e a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) para organizar o atendimento de públicos vulneráveis, incluindo crianças, adolescentes, mulheres, gestantes, idosos em situação de rua e outros grupos que necessitam de suporte para deixar o hospital.

* Nome fictício para preservar a identidade da personagem, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Fachada do Hospital Jardim Ingá

Hospital Jardim Ingá - Luziânia

Hospital Jardim Ingá - imagem 3

Fachada do Hospital Jardim Ingá - imagem 4

Pacientes no Hospital Jardim Ingá - imagem 5

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