Cesárea aumenta risco de câncer de placenta após mola gestacional

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Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, a Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) coordenou um estudo que aponta que as cesarianas elevam o risco de neoplasia trofoblástica gestacional, câncer raro que se origina em células da placenta e cresce no útero. A pesquisa analisou dados de 2.904 pacientes atendidas entre 2002 e 2022, no ambulatório da Maternidade Escola da UFRJ e no Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, nos EUA, com 83,9% das pacientes sem histórico de cesariana e 468 com pelo menos uma cirurgia do tipo.

A neoplasia trofoblástica gestacional representa a forma mais grave da doença trofoblástica gestacional, associada à placenta anômala, podendo ocorrer mola completa (sem feto) ou mola parcial (com feto inviável). Em até 20% dos casos, células da mola podem se alojar no útero e evoluir para o câncer de placenta. No Brasil, a incidência dessa condição é de cerca de um caso a cada 200 a 400 gestantes, com aproximadamente 2,9 mil registros anuais.

Entre as mulheres já submetidas à cesariana, 26,5% desenvolveram câncer, ante 20,8% daquelas sem esse histórico. Todos os demais fatores foram controlados, sugerindo que a cirurgia prévia aumenta o risco de forma independente. A hipótese central é que a incisão no útero durante a cesariana desregula o sistema imunológico, além de promover remodelação dos vasos sanguíneos e fibrose.

“A cicatriz da cesárea é uma área frágil dentro do útero. Então, é como se fosse uma porta de entrada para a mola, que acaba tendo mais poder de invasão para entrar no útero e levar ao câncer”, afirmou Gabriela Paiva, líder da pesquisa durante o doutorado.

Referência internacional

A ideia de investigar a relação entre cesáreas e câncer de placenta surgiu após a publicação de um estudo semelhante na Coreia do Sul, mas com um grupo de pacientes menor, conforme a pesquisadora Gabriela Paiva.

A Maternidade Escola da UFRJ, ligada à rede HU Brasil e ao Sistema Único de Saúde, abriga o Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional, o terceiro maior centro de pesquisa e atendimento de mola do mundo. Toda semana, cerca de 80 pacientes com mola são atendidas na unidade.

“Com a quantidade de pacientes que a gente tem aqui, a gente pensou que poderia fazer essa avaliação trazendo um resultado mais preciso. Considerando também a grande quantidade de cesarianas que é feita no Brasil”, destacou Gabriela, que também atua como médica no ambulatório.

Rio de Janeiro (RJ), 26/05/2026 – A médica obstetra do ambulatório e maternidade da Maternidade Escola UFRJ, Gabriela Paiva posa para foto na instituição, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

A pesquisa foi feita em parceria com o Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Foram analisados dados de 2.904 pacientes atendidas lá e no hospital da UFRJ, entre 2002 e 2022, sendo 83,9% sem histórico de cesariana e 468 com ao menos uma cirurgia do tipo.

Entre as mulheres com histórico de cesariana, 26,5% desenvolveram o câncer, contra 20,8% entre aquelas sem esse histórico. Todos os outros fatores que pudessem contribuir para o resultado foram controlados, fortalecendo a conclusão de que a cirurgia prévia aumenta o risco de modo independente.

O estudo também estima que, se a taxa de cesarianas no Brasil caísse 20 pontos percentuais, para 35%, poderiam ser evitados aproximadamente 177 casos de câncer por ano, o que representaria uma redução de cerca de 6,1% na incidência anual estimada.

Apesar da associação, os autores indicam que mulheres com histórico de cesariana não devem receber tratamento mais agressivo caso desenvolvam a neoplasia. A recomendação é manter acompanhamento mais vigilante desde o diagnóstico da mola. No tratamento atual, o manejo envolve esvaziamento do útero por aspiração, sessões de quimioterapia e monitoramento do hormônio HCG. A histerectomia permanece indicada apenas em casos específicos.

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