EUA planejam enviar funcionários para questionar eleições brasileiras, diz jornal

Escrito por: Diógenes Cunha

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O governo dos Estados Unidos planeja enviar dois altos funcionários do Departamento de Estado a Brasília para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, segundo informações divulgadas pelo The Washington Post, com base em relatos de autoridades que falaram sob anonimato. A viagem está prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais marcadas para 4 de outubro.

Conforme apurado pelo The Washington Post e repercutido pelo G1, a delegação será composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado.

Samson é conhecido por percorrer países promovendo a pauta conservadora e cultivando laços com grupos de direita. A declaração ocorre dias após o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), ter feito ataques à integridade técnica das urnas eletrônicas durante um evento na presença de diplomatas. Na ocasião, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que as urnas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic e citou um relatório da CIA que, segundo ele, mostraria envolvimento da empresa em fraude eleitoral nas eleições de 2012.

A correlação estabelecida por Flávio Bolsonaro foi desmentida em diversas notas técnicas do Tribunal Superior Eleitoral.

The Washington Post aponta que o clima de atrito envolve divergências em ao menos três frentes: o processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado; tarifas comerciais impostas pelos EUA a produtos brasileiros; e desentendimentos sobre os limites da liberdade de expressão.

A iniciativa também evidencia uma mudança no comportamento da diplomacia norte-americana, contrastando com o papel exercido pelos EUA nas eleições brasileiras de 2022, quando atuaram para reforçar a estabilidade democrática e frear discursos golpistas, respaldando relatórios de inteligência que atestavam a ausência de fraudes no sistema de votação.

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