Master repassou R$ 28 milhões a secretário de Mata de São João após ser autorizado a operar cartão consignado

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O Banco Master teria emprestado R$28 milhões a empresas ligadas a Joel Feldman, ex-secretário de Desenvolvimento de Mata de São João, após a prefeitura credenciar a instituição para operar um cartão de crédito consignado para servidores municipais, com desconto na folha.

Segundo o jornal Metrópoles, Feldman, atuando na época como secretário, foi peça central na negociação, em parceria com Augusto Lima. Feldman ficou com a rede de supermercados Cesta do Povo, alvo de leilão promovido pelo governo da Bahia, enquanto Lima ficou com o produto bancário.

Um dos empréstimos, no valor de R$19 milhões, foi formalizado 27 dias após o credenciamento. Feldman afirmou que os empréstimos obedeceram a padrões de mercado para financiar a aquisição de nove lojas no estado e, depois, para rolar a dívida. Ele negou qualquer relação entre as operações com a rede varejista e sua atuação pública em Mata de São João.

No papel, a NGV Empreendimentos e Participações arrematou o Cesta do Povo em 2018, rede estadual de 49 lojas. A empresa teve dois sócios formais: Ignacio Morales e Joel Feldman, então presidente da Abase (Associação Bahiana de Supermercados). Feldman também ocupava o cargo de secretário municipal naquela época.

A operação ganhou contornos com alterações no processo de leilão: após intervenções do governo baiano, o preço mínimo foi reduzido e os direitos sobre o Credicesta passaram à PKL, que foi adquirida pelo Banco Máxima, posteriormente convertido no Banco Master. A gestão municipal chegou a conceder exclusividade de atuação à NGV por 15 anos, com limite de até 45% de comprometimento de renda e, segundo descrições, juros abusivos, sem concorrentes.

Feldman retornou à Prefeitura de Mata de São João em janeiro de 2021 e anunciou o Cartão do Servidor, operado pelo Banco Master. A autorização da Câmara Municipal ocorreu em março, com a legislação publicada no fim daquele mês e decreto para credenciar instituições bancárias. Em 13 de agosto, o Master foi credenciado; em 10 de setembro, a instituição emprestou R$19 milhões à Quality Supermercados, da qual Feldman era sócio-administrador. Em 25 de novembro de 2022, foi concedido outro empréstimo, de R$9,6 milhões, à Kasim Empreendimentos, criada pouco antes. A norma de setembro ampliou de 72 para 120 meses o número máximo de parcelas.

O ex-gestor nega vínculos entre as operações financeiras e seus negócios. Em 2023, Vasconcelos renunciou ao cargo; ao fim de 2023, após a liquidação do Master, a prefeitura descredenciou o banco. Já a Cesta do Povo, desde 2022 sob financiamento de Augusto Lima, manteve-se em operação, chegando a 35 lojas — 24 próprias e 11 sob gestão de terceiros — com Feldman à frente.

E você, qual é a sua leitura sobre esse conjunto de operações: privatização de crédito consignado, leilões públicos e vínculos entre gestores e varejo? Compartilhe seus pensamentos nos comentários e ajude a tornar esse tema mais claro para todos.

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