PF investiga obstrução atribuída ao senador Weverton em sindicância envolvendo o grupo do Brandão

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo PF investiga possível interferência do senador Weverton Rocha (PDT-MA) em sindicância no STJ, com base em mensagens encontradas no celular apreendido na Operação Sem Desconto. Série de contatos com o ministro Humberto Martins, do STJ, aponta relação próxima e indícios de obstrução. Inquérito autorizado pelo STF teve sigilo levado a público em 14/8.
Senador Weverton Rocha em foto de arquivo
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Maranhão, Brasil — A Polícia Federal (PF) investiga se o senador Weverton Rocha (PDT?MA), vice?líder do governo, atuou para obstruir o andamento de uma sindicância envolvendo o grupo político do governador Carlos Brandão. A apuração usa dados extraídos do celular do parlamentar, apreendido durante a fase da Operação Sem Desconto, que mira fraudes no INSS.

Entre os achados, a PF aponta uma série de trocas de mensagens e áudios entre Weverton e o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, em período de janeiro de 2023 a outubro de 2025. A PF ressalta que Martins não está investigado no caso, mas destaca a proximidade entre o senador e o magistrado.

A investigação sugere que o senador pode ter atuado para obstar o regular prosseguimento da sindicância, especialmente após o assassinato do empresário João Bosco, em 2022, no Maranhão. A decisão de abrir o inquérito foi determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 14 de julho, e o sigilo foi levantado em 14/8.

Um dos episódios destacados pela PF envolve a transferência de Gilson Júnior, responsável pela morte de Bosco, para a Penitenciária Federal de Brasília, solicitada pelo ministro em 2 de julho do ano anterior. A PF também cita o delegado aposentado Raimundo Cutrim, ex?secretário de Estado, que teria repassado R$ 160 mil a familiares de Gilson para evitar a revelação dos possíveis mandantes do homicídio.

A investigação cita ainda o possível envolvimento de Daniel Brandão, atual presidente do e sobrinho do governador, em reunião que resultou no assassinato de Bosco. Segundo a PF, o conselheiro participou do encontro, mas seu nome teria sido omitido das apurações da Polícia Civil do Maranhão, que tratou o caso como uma briga interna. A PF aponta que Daniel teria deixado o local momentos antes dos disparos, em meio a discussões sobre distribuição de propinas oriundas de contratos públicos.

O conjunto de informações reforça o foco da PF em uma possível rede de influência entre a política local, o Judiciário e empresas, enquanto a sindicância segue em apuração para esclarecer responsabilidades e mandantes ligados aos eventos mencionados.

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