PF deflagra operação contra ex-servidor do STJ suspeito de vazar informações a Willer Tomaz

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo rápido

  • PF deflagra a Operação Linceu para apurar possível violação de sigilo envolvendo Humberto Fontoura Pradera, ex-servidor do TJ-DF/STJ.
  • Advogado Willer Tomaz, aliado do senador Flávio Bolsonaro, é alvo de apuração no STF por lavagem de dinheiro; Tomaz nega irregularidades.
  • Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília; Pradera foi exonerado do STJ na semana anterior.
  • Movimentações de aproximadamente R$ 130 milhões no Magnum Bank, entre março e maio de 2025, integram as apurações; PF aponta eixo financeiro e jurídico.

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (19), a Operação Linceu para apurar uma possível violação de sigilo funcional atribuída a Humberto Fontoura Pradera, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (TJ-DF). A PF aponta que ele facilitava o acesso a informações de processos em tramitação na Corte por meio do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Willer Tomaz está sob investigação no STF, em inquérito que apura lavagem de dinheiro; o advogado nega ter obtido ou repassado dados processuais de forma irregular.

Pradera ocupava a posição de Secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação (STI) no STJ e foi exonerado na última sexta-feira (16) pelo presidente da Corte, ministro Luís Felipe Salomão.

Os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão contra Pradera, em Brasília, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito do inquérito em curso.

MODUS OPERANDI
No inquérito que investiga lavagem de dinheiro, a PF aponta que a atuação de Willer Tomaz se concentrou em dois eixos: financeiro e jurídico.

No eixo financeiro, a PF identificou movimentações de cerca de R$ 130 milhões no Magnum Bank entre março e maio de 2025.

Em relação aos dados processuais, Trechos de mensagens obtidos pela PF indicam que Pradera repassou informações relativas a demandas internas do STJ ao advogado, com menção de que duas pessoas teriam sido designadas para tratar do assunto e que ele manteria o contato.

Em outra passagem, Pradera encaminhou a foto de um documento exibido na tela de um computador, com carimbo visível, o que reforça a possibilidade de compartilhamento de dados processuais entre as partes, segundo as apurações da PF.

EXPERIÊNCIA NO STJ
O ex-servidor já atuou em posições de destaque no STJ, incluindo o cargo de Secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação (STI) e, anteriormente, como assessor-chefe da Assessoria de Inteligência Artificial, participando de projetos de transformação digital, IA e sistemas internos da Corte.

Willer Tomaz nega ter recebido ou repassado informações de maneira irregular e sustenta que não houve violação de dados processuais.

RELEVÂNCIAS E CONTEXTO
A PF reforça que a apuração envolve aspectos financeiros e jurídicos, com a existência de relações entre o advogado e o círculo político envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, conforme apurações do inquérito no STF.

Ao final, o portal G1 não localizou o ex-servidor ou sua defesa até o momento, de acordo com informações divulgadas pela matéria correspondente; o G1 é citado como fonte no material de referência utilizado pela reportagem do PrimeiroJornal.

As investigações seguem em andamento, com a PF buscando esclarecer a extensão das supostas impropriedades e a ligação entre os envolvidos.

Resumo: Investigações apontam fracionamento e repasses entre empresas de apostas, com ligações a agentes políticos e servidores públicos. No eixo jurídico, a apuração envolve possível interferência em processos no STJ e na PGR, com o advogado Willer Tomaz no centro. A defesa nega irregularidades e contesta vazamento de informações, conforme nota publicada.

Fracionamento, triangulações e repasses entre diversas empresas e plataformas de apostas, além de conexões com agentes políticos e servidores públicos, figuram entre as informações reunidas pela investigação. O material aponta vínculos que vão além do âmbito comercial, sugerindo influência de atores públicos em operações do setor.

No eixo jurídico, a apuração aponta uma suspeita de interferência em processos de alto interesse econômico no STJ e na PGR. As apurações indicam que Willer Tomaz recebia votos, ementas e decisões judiciais de forma antecipada, influenciando decisões como desistência de recursos, além de enviar orientações e conteúdos para a elaboração de pareceres do MPF.

Confira a nota na íntegra logo abaixo:

O advogado Willer Tomaz nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em qualquer manifestação. As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais.

A ciência antecipada de julgados no Superior Tribunal de Justiça não é crime: é funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte. Tampouco há ilícito quando um procurador, convencido pelos memoriais apresentados, incorpora seus argumentos ao parecer. Isso é contraditório, e converter rotina processual em suspeita é criminalizar a advocacia.

A defesa desconhece o relatório citado e repudia sua divulgação seletiva, em plena campanha eleitoral, com menções a terceiros alheios aos fatos investigados. Ilegal, este sim, é o vazamento de material sigiloso, cujos autores serão identificados e responsabilizados.

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