Resumo: Dados de 2023, consolidados pelo Data Câncer 360º, indicam que 89,6% dos diagnósticos de câncer de pulmão no SUS chegam em estágio 3 ou 4. Apenas 698 casos (10,4%) foram identificados nos estágios iniciais (1 ou 2). A tomografia anual está disponível pelo SUS, mas não há programa nacional de rastreamento. Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, traz os detalhes.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida, com base em 14.145 diagnósticos registrados no SUS em 2023, aponta que 89,6% dos casos com estadiamento informado já estão em estágio avançado (3 ou 4), totalizando 7.267 pacientes (2.015 em 3 e 5.252 em 4).
Entre as ocorrências analisadas, apenas 698 pacientes foram identificados nos estágios iniciais (1 ou 2), o que evidencia gargalos no diagnóstico precoce, de acordo com o oncologista Igor Morbeck, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.
Morbeck afirma que o aumento do diagnóstico tardio decorre da exposição contínua a fatores de risco como tabagismo, sedentarismo, obesidade e má alimentação.
“Isso expõe, obviamente, a população brasileira ao risco de desenvolver câncer. O câncer de pulmão é um dos mais incidentes”, declarou Morbeck em entrevista à Agência Brasil.
O médico também ressalta que a tomografia anual é recomendada a todas as pessoas com fatores de risco e está disponível no SUS, sendo possível realizá-la. No entanto, ele adverte que não existe um programa de rastreamento específico para o câncer de pulmão no país.
“A doença, por ser silenciosa, costuma apresentar sintomas apenas quando já está em estágio avançado, como tosse persistente, leve falta de ar ou quadros que simulam infecções como bronquite ou gripe”, disse o oncologista.
Alarme: O estudo aponta que quase 90% dos pacientes que chegam ao SUS com diagnóstico ou suspeita já estão em estágios muito avançados, o que agrava o desafio de tratamento.
Morbeck também aponta que políticas públicas no Brasil não acompanham o ritmo das recomendações médicas, contribuindo para atrasos no diagnóstico e acesso a exames.
Apesar da indicação da tomografia, ele ressalta a ausência de um programa de rastreamento nacional específico para câncer de pulmão e afirma que a prevenção, principalmente entre fumantes, é essencial para reduzir a incidência e melhorar as chances de cura.
As informações foram obtidas junto à Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.
Crédito: “Agência Brasil”.
Crédito: “Agência Brasil”.
Resumo: Brasil vive alerta sobre câncer de pulmão, com o INCA estimando 35.380 novos casos/ano entre 2026-2028 e 32.555 mortes em 2024. Dados indicam falhas no rastreamento público e a necessidade de diagnóstico precoce. Respire Agosto envolve ações de conscientização e redução do tabagismo.
Palavras-chave: câncer de pulmão, rastreamento, tomografia, INCA, Agência Brasil, tabagismo, Respire Agosto
Brasil enfrenta desafio no diagnóstico precoce do câncer de pulmão. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam 35.380 novos casos por ano no triênio 2026-2028 e 32.555 mortes em 2024, revelando a gravidade do problema no país. Especialistas destacam que o reconhecimento tardio da doença e falhas no rastreamento público contribuem para diagnósticos mais complexos e desfechos piores.
Falhas no estadiamento e limitações de exames mostram que, entre os registros analisados, 3.857 foram classificados como ignorados e 2.100 como não se aplica. O oncologista Igor Morbeck explica que um raio-X de tórax isolado é inadequado para avaliação de câncer de pulmão e que, em muitos casos, o exame não permite diagnóstico definitivo, levando pacientes a retornarem com a doença em estágio avançado.
Desafios regionais e fatores de risco apontam que, embora o Brasil tenha variações regionais, Morbeck ressalta que a Região Sudeste registra maior incidência de câncer de pulmão, com o tabagismo sendo o principal fator de risco. Além disso, há preocupação com o aumento do uso de cigarros eletrônicos entre jovens, que pode acelerar a dependência e abrir caminho para problemas graves futuros.
Campanha Respire Agosto ganha destaque ao defender ações de saúde pública para ampliar o rastreamento. A orientação é que agentes de saúde cubram famílias com fatores de risco, buscando agendar tomografias e facilitar o diagnóstico precoce. A iniciativa é apresentada como medida capaz de reduzir custos e melhorar resultados no manejo da doença.
Perspectiva institucional a melhor forma de reduzir a mortalidade é investir em diagnóstico mais ágil e expansionar estratégias de prevenção. O INCA projeta que o câncer de pulmão continue sendo uma das principais causas de morte, enquanto organizações como o Instituto Lado a Lado pela Vida reforçam a necessidade de políticas públicas robustas para combater o tabagismo, promover rastreamento e ampliar o acesso a exames diagnósticos de alta precisão.
Caso destacado envolve Mônica Chain Montone, paciente atendida pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, que enfrentou câncer de pulmão pela primeira vez em 2008 e registrou recidiva em 2010. Em entrevista à Agência Brasil, Montone afirma que o tabagismo foi a causa do seu câncer, mesmo após 10 anos sem fumar, destacando a importância de políticas públicas que reduzam esse comportamento e ampliem o diagnóstico precoce em toda a nação.
Resumo: Mônica, sobrevivente de câncer de pulmão, descreve diagnóstico, cirurgia e cura após recidiva; faz acompanhamento anual no Hospital A.C.Camargo com tomografia de baixa radiação. A campanha Respire Agosto, criada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, reforça prevenção, lembrando que 85% dos casos estão ligados ao tabagismo.
Mônica foi diagnosticada com câncer de pulmão pela primeira vez e, na cirurgia, os médicos retiraram parte do pulmão. Eles disseram que, se o câncer fosse descoberto na fase inicial, a probabilidade de cura seria de 94%.
Ao enfrentar a recidiva, ela buscou relatos de sucesso para se inspirar, mas não encontrou opções que servissem de modelo. Decidiu, então, ser o próprio exemplo, compartilhando que há possibilidade de cura. “Eu vou ser meu próprio exemplo e vou falar para todo mundo saber que tem possibilidade de cura. E deu certo”, afirma.
Mônica mantém acompanhamento anual no Hospital A.C.Camargo, com realização de tomografia de baixa radiação a cada 12 meses para monitorar possíveis recidivas.
Ela lembra que agosto é o mês de prevenção do câncer de pulmão. A campanha Respire Agosto, criada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, visa chamar a atenção para a doença, uma das principais causas de morte evitável no mundo, com cerca de 85% dos casos ligados ao tabagismo.
